aí quando bentinho achava que tava tudo tranquilo

o chão se abre

e ele vislumbra finalmente a galeria subterrânea dos segredos femininos



onde achava que tinha só chão raso e firme

encontra o mar de ressaca

nos olhos oblíquos

esquivos à captura

(dois pássaros negros)

de capitu



absolutamente inesquecíveis

até pra mim

que nunca os vi





(em parceria com hudson rabelo)

todas estão corretas

deitado sobre o chão, eu olhando céu, passa como dúvida:

a) cometa meteórico assombro de luz e força disfarçado de mosquitinho

b) mosquito mosquitinho disfarçado de cometa assombro de luz e força

onze horas da madrugada

- cidade estranha não tem norte
- às vezes tem
- tem pra você, que é mulher. mulher tem antena. homem não, homem tem escama.
- são paulo tem norte?
- são paulo não tem sul nem leste nem oeste. são paulo são quatro nortes.
- e o rio de janeiro?
- o rio de janeiro demanda uma rosa dos ventos em 3 dimensões. bússula que se preze desafina no rio de janeiro.
- os morros né?
- o funk

conceito de verdade

imagine um cara q
perdendo todo dia de manhã a memória
se apaixonasse todo fim de tarde pela mesma menina

uma banda que a cada ensaio esquecesse o som que sempre fizera
e se pusesse a fazer música livremente, deixando acontecerem as composições
o conjunto delas permitindo ver um involuntário estilo

esquecer é o princípio da liberdade

vinícius transpessoal

caminhando por ipanema, vejo passar a bicicleta, melhor, vejo surfar a bicicleta - o calçadão de ipanema é uma onda eternizada, onda plana e quieta, movimenta o que é arredor

à deriva, sem remar com os pedais, vai a menina absorvendo o mar com desesperado deslumbramento

desde quando a vejo? desde sempre a vejo

o acaso (a onda de cimento sobre a orla de ipanema) nos conduz ao arpoador

ocorre-me argumento para poema: que todas as paixões no rio devem começar com o som de grito e asas de gaivota levantando vôo

.....................................................

poeira de surfistas quase de pé sobre o oceano

vou escrever no papel e entregar pra essa menina devorando o mar:

q a tarde dedica a ela sua constelação de anjos surfistas

por embargo da timidez, dedico eu mesmo a ela o melhor que eu posso oferecer: a sinceridade dos meus movimentos de yoga picareta - sei que fico lindo quando faço uma yoga com sinceridade

no auge do transe, sinto que ela me sente. sinto que a tarde vai cair e ninguém nunca vai embora. nem eu nem ela nem os surfistas nem o mar.

eu vim embora.

os surfistas o mar e minha arquetípica garota de ipanema continuam lá.

idade não tem idade

idade é uma só a vida inteira.

eu mesmo tenho 9 anos desde que nasci.

idade não é questão de computação, nada a ver com tempo. quantos anos uma pessoa viveu não é idade, são apenas quantos anos uma pessoa viveu. quilômetros rodados.

eis q eis-nos a formulação definitiva:

idade é a volta que os anos dão em torno de um único número.

saindo de viagem

é hora de amarrar o tênis

da mesma forma que chegam as visitas para aniversário casamento formatura, recebo hj de manhã, dia de partir, minhas nobres visitas

gente da mais alta estirpe

gente trajando capa e tudo

menino com sorriso infinito no rosto e cabelo encaracolado

diligência de anjos exóticos

espontaneamente mantenho-me solene, choro fácil, frente a essas presenças - notáveis, notórias

ansiedade doce mas tão doce nem ansiedade sendo mais

15 horas de viagem para desembarcar no rio de janeiro

romântico, imagino-me perambulando sozinho pelo rio, mochila nas costas com material subversivo

quanto mais sozinho, mais acompanhado. os caminhos são imprevisíveis, e o caminhante varia com eles. portanto, antes de viajar, despeço-me, saudoso, de mim mesmo.

aroê!

amor é domingo

oi, e aí?

q tal

vamo descolar uma galinhada de paróquia pra gente ir e almoçar em pé? ficar sentindo a cosquinha do calor no prato de plástico fino

FESTIVAL DE SORVETE BENEFICENTE

tem um festival de sorvete aqui perto de casa hj

coco, chocolate, flocos, groselha, passas ao rum, pode chupar à vontade qtos sabores quiser. na sorveteria vc paga quase 1 e cinquenta a bola. 4 bolas já compensam o ingresso.

opção a gente tem.


(em parceria com a cássia nuvens)

você se foi

e meus discos ficaram todos banguelas - não, essa música não!



meu mapa, cheio de minas - porra, não posso ir nesse bar, cê não entende?



meu corpo, o meu corpo, só me lembra você.



vc é uma ausência q dá pra pegar com a mão

balada literária

não sei nem onde enfiar a cara, de tão feliz. o mundo deus uas voltas, e eis q estou aqui transando loucamente com a expectativa da balada literária.

primeiro porque a programação está de levantar defunto. http://www.baladaliteraria.org/

segundo porque vou lançar, lá, O Herói Hesitante, dia 16 de novembro, às 21h. Na mesma noite que o xico sá, arcebispo da minha paróquia dionisíaca, link inaugural da minha pasta de favoritos na internet, a bênção xico sá.

tudo por articulação da nossa embaixatriz clarah averbuck, movedora de ares e mares com seu talento assombroluminoso, abram alas q a clarah vai passar.

laondé: Mercearia São pedro. Rua Rodésia, 34 Vila Madalena - Tel. 11 3815-7200.

vivos ou - principalmente - mortos, estão todos convidados.

scrap under the rain

chovendo água í ?

de noite é bom todo mundo dormindo e a água em alto mar batendo uma na outra, água de cima caindo em água salgada.

paz pra mim é isso, chuva em alto mar, com ninguém vendo. tá certo q a gente tá vendo isso agora, mas devassar espaços sem tempo está garantido pelo código da criança e do adolescente, né verdade?

em sendo, tudo astral, beijo pra vcs.

em não sendo, tudo astral, beijo pra vcs.

thus spoken msn

daniloslau says:
as coisas q eu ouço eu acho q são minhas

em termos de prazer estético

produzir informação não é muito diferente de receber infomação

desde q se seja tocado por ela

então eu acho q o q eu tenho ouvido é o q eu tenho feito

fazer é até ruim

o bom é receber

agora o mais gostoso

é receber o q vc fez

pq dá uma satisfação

não sei se isso é vaidade

vai q seja

foda-se

as éticas todas nos confundiram demais

o vamos salvar o planeta

o vamos ganhar dinheiro

as éticas criaram um finalismo

isso para aquilo

q eu acho meio indesejável

o apenas ser

acho q o apenas ser já conduz a alguma coisa, involuntariamente

desde q eu te conheço

e lá se vão longos anos loucos

c sempre foi o mesmo cara

eu tb me sinto o mesmo

então presumo q não adianta muito traçar planos

o único plano: tentar ser quem a gente é

qdo eu digo q vc não mudou, penso no seu eu q eu acho o mais massa

aquilo q se manteve é o q eu acho o mais massa

tal

vendo a mim mesmo, tb

vejo q o q se manteve é o q é o mais sensato

portanto a meta é deixar falar, predominar, esse eu-rachante

mesmo q isso redunde em porra-louquice, ou caretice

pq é esse caminho q vai nos conduzir bem

na verdade, o problema não é definir o caminho, mas o caminhante

a pergunta não é: por onde seguir

a pergunta é: quem vai seguir?

falar é errar

errar, de equívoco
errar, de errância

a fofoca é anti-estética

a fofoca é um meio através do qual trafegam (traficam) algumas informações, sejam elas, por assim dizer, verdadeiras ou falsas. o q distingue uma fofoca de um outro comunicado qualquer é a intenção do emissor da mensagem (o fofoqueiro), o impacto dessa mensagem na vida pessoal do receptor (o ouvinte sensibilizado), e o fato de uma fofoca sempre se referir a um terceiro (o fofocado). o que já de antemão coloca em dúvida a boa-intenção do fofoqueiro é justamente a ênfase que este dá à sua boa intenção. ai amiga, é doloroso demais pra mim te dizer isso, mas amizade o que é, um tipo de cuidado né. alegando bons intuitos, o fofoqueiro sai pior ainda na foto. nunca convence. mas nessa altura do campeonato o ouvinte já está por demais sensibilizado, unhas na boca, essas outras coisas já não têm mais importância - o impacto da fofoca ofusca a má atriz que é a fofoqueira. nunca é demais esquecer a verdade daquela frase: a coisa mais insuportável para uma pessoa é o sucesso de seu melhor amigo. procede? procede. claro, pouca gente sabe que sente isso. ninguém sabe nada. uma boa dar uma lida em memórias do subterrâneo, do dostoiévski, ver se cria coragem de se olhar verdadeiramente. nada de leituras por enquanto, o fofoqueiro não lê. diz que lê, acha que lê, mas lê bosta nenhuma, porque pra ler não precisa tanto de ter olhos, precisa mais de coração. como se quererá demonstrar, a fofoca é anti-estética. para isso, retomar o ponto onde paramos, que insuportável o sucesso do melhor amigo. essa sacada conduz necessariamente à idéia de que muito poderia - inconscientemente - interessar a desgraça do melhor amigo. fofocar é... se comprazer com a desgraça alheia. quem vai negar? sendo essa a intenção do fofoqueiro, ela se contrapõe diametralmente à intenção do emissor da mensagem artística. não que o artista seja um bem-intencionado, a estética pode prescindir da ética, mas, por mais bem-elaborada, mais espirituosa, mais eficaz que seja uma fofoca, sempre lhe faltará um tchan, um pirlimpimpim, que lhe garanta um sabor de coisa elevada. a frase fofoqueira é uma carne de segunda, pelanca mal-passada em churrasco com nova schin. a oposição entre fofoca e arte também se comprova pelo quanto uma vida intensa, rica, consigo-bastante, pode levar uma pessoa ao desinteresse pela vida alheia, pelo que não lhe diga respeito. um cara que se curta, se ache gostoso, cheio de coisa pra ler, pra ver, ouvir, fazer; um cara cheio de bons amigos, de bons momentos, vai perder tempo fazendo circular informação dolorosa? vai forjar informação (qualquer informação é sempre forjada. a linguagem é um artifício, e nunca será exata) e exercê-la à boca pequena? vai não. a fofoca é anti-estética também porque o fofoqueiro é sempre um fraco, um cara que na falta da novela das 8 faz da vida dos outros um páginas da vida.
vem fácil na lembrança uma enxurrada de artistas que se posicionaram contra a fofoca. só na musca popular brasileira ó:
. o arnaldo antunes cantou eu não acho mais graça nenhuma nesse ruído constante q fazem as pessoas falando cochichando ou reclamando... quem quiser papo comigo tem que calar a boca enqto eu fecho o bico, e estamos conversados.
. o itamar assumpção cantou a musca do geraldo filme: vai cuidar da sua vida/ diz o dito popular/ quem cuida da vida alheia/ da sua não pode cuidar
. o caetano cantou aquela do jorge ben: quem cochicha o rabo espicha. cantou tb aquela: todo mundo quer saber com quem você se deita/ nada pode prosperar
. o karnak: ngm quer te ver feliz/ todo mundo quer q vc quebre o nariz. a gente escuta (é) nosso coração.

não me lembro qual marco, sábio imperador romano, sugeriu o seguinte: que valia a pena, no agir, sempre imaginar que um cara muito foda, admirável do pé à cabeça, estivesse nos observando. próxima vez que a boquinha tender a ficar pequena, que tal lembrar desses caras aí em cima?