ai ai. 4 e meia. espreguiço-me austero? bichos escrotos saíram dos esgotos.

duas maneiras de pintar uma tela, escrever um texto. de dentro ou de fora. de dentro é ir indo, depois vejo qual foi. de fora é ir retocando, ajustando no cofiar da barbicha, depois eu entro.

mergulhar nas palavras porque elas mergulharam em mim, no sempre pretérito.

o sempre pretérito é aquele tempo, esse tempo, temporal de chuva, temporão de chivas, temporao.

o texto acham q corre pelas mãos de quem escreve, o texto acho q corre por si. mistério do texto é esse, correr por si pela mão de quem.

eu que agora escrevo sei que não posso tudo. posso tudo nesse não poder tudo. posso não posso? sexo o que é? poder tudo no caber restrito do corpo. quem já vôou abraçado? colocou uma menina inteira dentro da boca?

nos tempos primitivos infantis da minha vida escolar, havia os repetentes. o estigma do repetente. o repetente era sempre o pobre, isso era. havia uma resignação no ser repetente, c é repetente? sou. c é mais burro que eu? sou. eu desconfiava que ele era mais burro porque era mais pobre, que pobre analista social eu era, mas pensava assim. q se eu fosse ele era repetente, q se ele fosse filho de funcionáril do banco do brasil não. as meninas repetentes davam. as que não não. se eu tivesse comido alguma menina na quinta série, ela seria repetente. essa poética tá me lembrando o wagner schwartz, que me ama profundamente quando não gosta das coisas q eu escrevou faço.

eu sou repetente hj. meu tesão é bertolucciano, bertolucci é o cara q fez o filme em que o marlon brando come friamente o cu da menina navegando na manteiga, que fez o filme em que a irmã esfrega a doçura do espanador na bunda do mano em penitência de punheta. bertolucci, o tesão a sangue frio. meu tesão é bertolucciano tb, porque não sou monogâmico no meu tesão. nelson rodrigues, marcelo rubens paiva, arrigo barnabé, xico sá.

o tesão é o exercício da sinceridade, como o tombo.

vc me chama para ir no cinema. a gente caminhando de mãos dadas pela vida inteira.

estou consciente dos podes e dos não podes, estremamente conciente.

quem participa da minha confraria sabe o qto é bom. tanto amor nas madrugadas. viver o que é? viver dá pra viver de duas maneiras. de dentro ou de fora, como se escrevesse ou pintasse. então viver de dentro e de fora.

porque vai chegar a hora em q nos libertaremos do olhar. aí é nem dentro nem fora. aí é esparso, tudo.

aí o que fica é o ridículo.

como é bom esse ridiculozinho nosso.




......

7 comentários:

Juka Nassar disse...

sexo é elogio.

Anônimo disse...

Rapaz, que vontade de ser vô sê.

huds on disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
huds on disse...

gosto d gente ridiculuzuda.

Bo-Bowie disse...

Deu vontade de engolir uma menina agora, viu?... começar do início e terminar no final.

Maria Cláudia S. Lopes disse...

demais esse texto chará...a melodia dele lembra o Guimarães, hehe é um guimarães underground
bjim

Juanna disse...

de repente os repetentes n�o s�o mais os outros, e c� estou eu do lado de fora, pirando tudo por aqui