JÁ SEI !

já sei !

vou passar o reveion na puta q o pariu!

que se

acabei de assistir o clipe de a little respect, do erasure

lembra? "i try to discover..."

vi no vh1, q descobri agora e q me apaixonou

aí tem uma hora do clipe em q o rapaz à esquerda do video passa para o rapaz à direita a palavra "respect". isso com uma certa insolência doce, uma expressão q precisava transmitir a idéia de q se tratava, ali, de uma relação entre namorados

achei bonito. ingênuo e bonito

isso me lembrou esse papa aí q tá no poder, nem ingênuo nem bonito, morando em roma, guarda-roupa cheia de batina roxa e creme hidratante contra as rugas de caráter

(padre marcelo rossi, lá onde vc comprou essa carinha de santo... tinha pra homem não?)

o papa. é, o papa. ele disse pro jornal nacional q o "comportamento homossexual" era algo indesejável, a ser limado da face do planeta.

isso me trouxe à mente tb o dia desses em q, numa mesa de bar, defendi a idéia: intolerância sexual não seria apenas intolerância sexual contra essa ou aquela orientação.

q pode existir, e existe, intolerância sexual (e afetiva) contra menino gostando de menina, e contra menina gostando de menino, tb

e q esse tipo de intolerância era muito revelador, mais revelador até q a intolerância contra orientação: nesse caso, o intolerado não é a opção sexual, mas o amor em si. o amor, centro de nossa cultura romântica e novelesca, paradoxalmente, parece ser pouco e mal tolerado

apesar de indisfarçavelmente preconceituoso (a sociedade é preconceituosa, logo, e infelizmente, tb sou), desde sempre simpatizei com os impossibilitados de amar

isso, nos abaetés da vida, não era raro

me lembro das recém-enviuvadas bailando felizes da vida no reveillon, nos braços ou nos olhos de alguém em corpo presente, vida-reveillon execrada pelas viúvas de marido vivo

ou dos tiozões respirando amor diante de menina com idade pra ser neta dele. ela por sua vez respirando amor pelo homem que nem de longe lembra o avô. e tudo ficando por isso mesmo, q safadeza tanta longe daqui pelamordedeus

coisas assim

(pimenta no olho dos outros é refresco. refresco no olho dos outros é pimenta)

eros - cupido - é cego. é tiro q viaja cego e é tiro que cega o alvo.

eros - cupido - é menino, traquinas. quem nunca foi bumbum pras flechadas de cupido q se lamente profundo.

boas vindas

essa chuva esverdeando nossos campos, preparando o ano pro reinado de oxossi

dia desses estive de frente à mata pura do parque do sabiá

e ali meu ogum se despediu de mim. e ali meu oxossi disse oi, estou por iniciar minha regência

ogum, meu pai, que qdo se sentou no trono do ano de 2008 apareceu em sonho pra dizer: "vou bater o pé no chão, e muita coisa vai cair. assim despojado, terei o meu guerreiro pronto"

ogum iê.

e salve as folhas.

hiroshima nagasaki pururuca

hj é natal então eu pus então é natal da simone e fui comer sozinho o leitão que arrematei barato hj no leilão. arrematei, papel silofane parecendo embrulho de presente, self service nesse dia especial não dá

é o primeiro natal que passo sozinho. sozinho, sozinho, não, né. pq tem o leitão. pq ela não tem mais. ela foi embora.

mas eu virei o leitão com a cara pra lá, muni-me de galfo e faca e espetei. e comecei a comer. e fui comendo. e fui me lembrando dela ter ido embora e fui comendo. e fui me lembrando q estava sozinho no natal e fui comendo. e fui me lembrando que tinha voltado ao vício do ueifer e fui comendo. e fui me lembrando que tava comendo e fui comendo.

aí a gordura da pururuca começou a fazer o garfo querer ir embora, como a vida é escorregadia. tudo escorregando, eu disse some daqui filho da puta, e comecei a comer com a mão. aí a vida é escorregadia e o leitão tb é e ele foi parar no chão e eu fui atrás com as mãos tudo lambrecada. eu já tava sem camisa e éramos nóis dois rolando no chão nesse natal. eu estava ofegante, o leitão tb. eu comecei a chorar e o leitão parece q tb. nosso carnaval natalino: suor, lágrima e gordura. chão

tudo correndo daqui, tudo escorrendo, a mão não dava mais pra segurar o leitão. e eu fui de dente, mordi o danado, a cara toda de gordura, ninguém vê mas eu sinto.

(em parceria com hudson rabelo)
paulinho da viola fez, do seu jeito ele fez, um samba para o infinito

a cor de nuvem, na moeda

um dia será o caso de se buscar algumas formulações a respeito desse negócio de ficar pisando de lá pra cá em cidade outra, cidade que-não-a-nossa.

pq estar muito tempo em cidade outra gera no titio um estado de embrutecimento que, por paradoxal q pareça, acaba meio coincidindo com um estado se sensibilidade aguçada.

sensível-bruto, caminhando por são paulo, acredito reconhecer um pouco desse transe nos infinitos moradores de rua dessa gothan city.

sensível-bruto, consigo perceber o diálogo estabelecido entre todas as estátuas desse centrão de deus nenhum. as estátuas estão em constante diálogo, isso é evidente. e se alguém se vê em condições de participar desse papo são esses mendigos todos com cara de estátua.

a propósito: a estatua do anchieta, na praça da sé. a perfeita figuração do Lunático. túnica, cabelo querendo-se auréola (aquela aberração que é a careca rodeada de cabelo), cruz na mão. grande, grande, ocupando andar de cima. nessa praça repleta de loucos, até a estátua - e principalmente a estátua, o totem - afigura-se O louco.

embebido do centro de são paulo, sei q a plástica dessa intoxicação é o cinza velho das estátuas, o cinza das construções antigas, o cinza do asfalto, o cinza da pele e das roupas e da expressão dos moradores de rua. wesley duke lee, q ilustrou o paranóia, do roberto piva, sabe disso. eu, q me despeço agora desse centro, corro atrás, viciado, da loucura do centro de belo horizonte. sei que não vai ser difícil encontrar, pq o plúmbeo parece ser mesmo o timbre de nossas metrópoles.

entrevista com o hugueney

Opa.

tá no youtube essa entrevista minha com o genial hugueney bisneto, quero compartilhar com vcs.

bacana q essa gravação se deu num dos dias mais legais da minha vida. de manhã, rolou essa entrevista. na tarde, gravei com o wagner schwartz e com o castor os videos q vieram a constar no Placebo 2008, coisa de q muito me orgulho. e de noite me encontrei com a lua e com a perfeição na aabb, no meio do mato.

um dia conto tudo. agora não, pq agora vou tratar de fazer DESSE QUE CORRE um dos dias mais felizes da minha vida tb, pq não?

(viver é hard)

GATA

meu amor

musa inspiradora dos meus sonhos mais cinemitalianos!

vamos montar uma peça do nelson

só eu e vc em cena

ngm na platéia

quero sair de carro com vc, gritarmos urru com a cabeça pra fora da janela

e utererê com a cabeça pra dentro

sabe

deu vontade de escrever uma palavra em latim na sua pele com pena de pavão embebida em tinta de intoxicação deleitosa

qdo vc está numa nice vibe, é ultra plus

Vou olhar meu horóscopo de ontem
sacar desde quando

sabe vc

vc pinta eu perco a voz, enfio a mão no bolso, fico vermelho, não consigo dizer nada legal

mas mesmo assim faço cara de james bond

meu nome é bonde

desde ontem

mais

a poesia sempre está em língua estrangeira. li essa frase (q não sei bem se era assim mesmo, mas afinal de contas o q é ler, senão distorcer?) em algum texto do mestrado em literatura, e amei de imediato. não me detive muito no exercício de torná-la clara pra mim - para dizer como o outro: entender a danada. gostei de mais ou menos entendê-la. hj me dou conta q nesse meio entendimento eu havia me ajustado bem à frase.

a micheli minha amiga adora repetir, na minha frente, a história em que eu, obrigado pelo mesmo mestrado a dar algumas aulas para a graduação, me vi à frente da turma em que ela estudava. o tema era: oswald de andrade. aí fomos ler um poema do pau-brasil. a versão dela: alguém perguntou o q significaria determinada palavra, e eu, meio rolando lero, teria dito "q maravilhoso isso, lermos um poema e não sabermos o significado de alguma palavra. poesia é isso, é navegar na estrutura, no estranhamento, talvez seja hora de nos libertarmos do vício semântico, do vício-em-entender, etc etc".

minha versão é mais sem-graça, e parece querer me desculpar, por isso prefiro a dela. a minha: eu teria escolhido estudar aquele poema e ir adiante mesmo sem procurar no dicionário o q significaria a dita cuja. nisso talvez encontrar uma coincidência com o preceito antropofágico do oswald: transformar o tabu (não saber o significado da palavra) em totem.

mergulhar na surpresa é o título de um disco do maurício pereira.

digo tudo isso para invocar as imagens com que banhei minhas retinas ao longo dos últimos dias, em são paulo. a consolação de baixo, no centrão, com suas luzes de mercúrio - vazia. madrugada alta nas imediações do apartamento do porcas.

(o helinho acabou de, carinhosamente, me chamar de mendigão)

mas eis q o mundo se afigurou deliciosamente estraño para esse cidadão q vos fala, desde o desembarque na capital dos paulistas.

a avenida paulista me recebeu com seus braços (mil prédios) abertos qdo eu saí do cinema em q havia acabado de assistir ao filme do carlos nader sobre o waly salomão, pan-cinema permanente. a maryllu me viu no meio da multidão, gritou danilo com aquela voz de quem acaba de reconhecer um amigo em terra estrangeira, e qdo me virei pude perceber o estranhamento dela em me ver ainda com lágrimas nos olhos, cara chorada, esfregada no chão do sofrimento bom. achei perfeito encontrar a maryllu, uma pessoa q vive intensamente a Poesia, naquele lugare naquele momento. um dia direi a ela o q agora percebo. q maryllu e waly são anagramas. o w do waly a gente consegue invertendo o m da maryllu. anagrama omni-direcional. panagrama.

isso com a maryllu foi, de certa forma, o q se passou comigo qdo saí, não menos extasiado, do teatro oficina, para cumprimentar tímida e reverentemente a atriz anna guilhermina, de quem sou fã desde a primeira vez q fui ver os sertões. o fato é que, depois das 5 horas e meia de profunda experiência coletiva, com o fim da peça, ela, ainda com o figurino de balões negros mais ou menos cheios em volta do dorso nu, posta-se arrebatada, lágrimas distorcendo a maquiagem, em frente ao teatro, quase na rua, para consumir com paixão o penúltimo cigarro da noite.

boa noite, ela disse qdo eu disse com sinceridade: muito obrigado. boa semana, inteirou ela, e eu entendi essa frase ao pé da letra, pq senti em sua inflexão o desejar mesmo aquilo, uma boa semana pra mim, ela desejou. uma ótima vida pra vc, aumentei, mas só pensando. a poesia está em que língua mesmo?

Porcas no estúdio

o apartamento que o porcas borboletas alugou em são paulo está de frente a uma das fachadas do edifício copam - a fachada traseira, se é possível apontar traseiras ou dianteiras em uma obra de arte.

não poderia haver paisagem mais instigante.

da janela do apê, vê-se o grid multicolor das muitas janelas. nessa, o flash purpúreo e instantâneo das televisões ligadas. noutra, a tristeza de uma árvore de natal iluminada. a verdade é q, grande parte do tempo, a rapaziada fica debruçada na janela, assistindo ao que a gente chamou a tv copam.

o estúdio el rocha, onde estamos gravando, parece uma nave. quem pilota é o sereníssimo e ultracompetente fernando sanches. gravamos as bases ao vivo, numa performance inesquecível de nossos meninos-mais-novos (nunca mais esquecê-la, até porque gravada está): vi, rafa e moita.

a gravação das bases foi feita em sistema analógico, e o legal é q, gravadas todas as bases,o disco começa a se apresentar. tá tudo quase completo já, de modo que o desafio agora é, mais q inventar, DESCOBRIR o que pede cada música.

aos poucos vamos mandando mais notícia.

por enqto, segue esse videozinho, q o banzo preferiu chamar de teaser. ele diz um pouco disso tudo aqui.

saravá, god bless we all.


café expresso - notícias aí

mandando notícias mal-redigidas daqui dessa lan house no simpático bairro da pompéia, em são paulo.

hj, sabadão, a partir das 21 horas, o porcas borboletas faz show no sesc pompéia, dentro da mostra mineira de arte contemporânea. morrem 8 reais pra quem tem carteirinha de estudante falsificada, e 16 reais pra quem não tem.

hj, sabadão, e amanhã, domingueira, o nosso wagner schwartz apresenta o placebo 2008, entrada franca, no espaço do grupontapé, rua tupaciguara, em uberlândia (por favor, quem não viu cria tipo e vai ver, pq é coisa grande)

e ontem, sexta-feira, tb em uberlândia, teve show do arrigo barnabé, acompanhado da diviníssima vânia bastos e do é-o-cara paulo braga. ótima ocasião para esse q vos escreve se despedir da uberlândia. despedi-me, aqui estou (estamos) em sampaulo, prestes a fazer show no glorioso sesc-pomp, e a iniciar as gravações do segundo disco do porcas.

estejamos juntos.

já já volto a escrever mais.

love loving.
- é o amor que deixa a gente velho, não o tempo.
- eu tô lendo um livro q fala q a paixão é pior. a pessoa fica boba. mas pelo menos rejuvenesce, né?
- a paixão é um contra-tempo.
- esse cara do livro, q é psico-alguma-coisa (ólogo, atra?), diz q não gosta de atender (cli, paci)ente - apaixonado.
- pra ele, deve ser igual conversar com bêbado.
- já viu bêbado sem paixão? é a coisa mais deprimente do mundo. bêbado apático.
- a grande paixão do bebum é a cachaça.
-
- vejo que o tempo lhe caiu bem. imagino que o amor tb lhe caia.
- bom verbo, em se tratando de amor: cair.
- e vc? fala um pouco de vc.
the world is just beginning

yellowfinger

eu tenho um negócio q é paixão pela radicalidade em arte. não adianta vir com chororô, me chamar de vanguardinha, de o caraio. nem adianta vir com papo de ah é independente então é bom. eu escuto caetano veloso diariamente, então o esquema tem q ser arrochado pra dividir espaço no meu playlist. por incrível q pareça, apesar de trabalhar com música, ainda escuto sons aê. escuto pelo menos 3 discos por dia. conheço pelo menos 3 discos por semana. me gabando? claro, pra que serve um blog? é q eu li isturdia essa provocação: a de q hj em dia o músico só escuta musca dele, só pensa nisso. perfeito. comigo tb é assim, e não é. não existe, na minha vida, in q não seja out, nem out q não seja in. ouvindo sons de outros artistas, penso no meu trabalho. trabalhando, penso nos sons dos outros.


(fissuradíssima pra escutar o disco novo do david byrne com o brian eno)

então esse post vem pra dizer a minha alegria em conhecer um artista como o yellowfinger. o chelo (aka yellow finger) eu conheço das antigas, desde os tempos do dead smurfs. feliz a banda q consiga por três faixas chamar o santo como o DS chamava (a banda não toca mais). nunca vi tanta urgência, tanto sangue. nunca vi uma resposta tão bem elaborada a esses tempos nossos. o DS era sapato moendo no chão bituca de cigarro em brasa. rapt: cuspida.

e os caras tão esparramado aí. todos absolutamente geniais. dentre eles, o chelo, yellowfinger.

pode ser considerada arte a aventura de pegar uma balada com ele? pega. aí vc vai entender o q é verve demolidora, o q é a benigna violência.

radical até a tampa, yellowfinger está em início de processo.acabou de montar o myspace. postou umas coisas bem toscas, q eu adorei. nada pode ser mais gostoso, nesse universo da arte, q ver um grande artista em processo, elaborando, montando myspace, manipulando seus signos.

então segurem aí um video do yellow, realizado em parceria com o comparsa stonewood (trilha sonora original). segue tb uma fotonovela (clique para ampliar)

e é isso. bendito seja Seja, o deus do pé na estrada, o deus da mão na massa, o deus do pau no cu.




boscolices...


ARTISTA LANÇA NOVO PROJETO CONCEITUAL

Artista multimídia, Danislau Também lança na noite de hoje em seu ateliê/residência seu mais novo e ambicioso trabalho plástico intitulado: ‘PÉ NA LAMA’. Trata-se basicamente de uma casa com vasilhas sujas, banheiro sem lavar, chão a pó e água seca, energia cortada, enfim, um trabalho conceitual que tenta mostrar, de forma visceral, a alma e sensibilidade do artista que se preocupa, e tenta passar, um pouco da realidade da vida cotidiana do homem médio desorganizado. Capiau de Patos, Três Marias e Abaeté, Danislau buscou na cidade grande seu espaço e depois do lançamento de diversas performances mal sucedidas, como a famigerada ‘Furta Copos’, conseguiu lançar livros, CDS, vídeos e agora busca em seu novo trabalho o reconhecimento definitivo no meio artístico cultural do cerrado. Perguntado sobre seu novo trabalho disse apenas, de forma clichê, que ‘está muito feliz’.



Esse relise aí quem postou foi meu bom e velho amigo, a verve mais incendiária do centroeste mineiro, o giordany de boscoli. tá no blog dele, o boscolices. eu mesmo não sei q dia é a vernissage. qq coisa, vejam com ele. assim é a vida boa, ir rindo. só a antropofagia nos une, e o gio bobs sabe disse.

Porcas no Goma amanhã

Amanhã, sexta, dia 31 de outubro,o Porcas faz aquela q seja talvez sua última apresentação em uberlândia, nesse 2008 de ogum.

No goma.

Primeira banda, hein? Logo depois, Gigante Animal e os Beagles.


meu myspace

amigos!

depois de algum tempo apanhando do computador, leiaute, lay-out, finalmente tenho o prazer de apresentar a vcs minha página no myspace.

com a intenção de sempre atualizá-la, convido-os ao clique amigo:


www.myspace.com/danislau

bjos!
não sabendo direito
por onde começar
nesse negócio de vida nova
sigo o conselho do aa
parar de beber

PLACEBO 2008

E segue a turnê PLACEBO 2008, do wagner schwartz.

nos dias 13 e 14 de outubro, a apresentação será no espaço beta do sesc consolação, sampa, às 21 horas. eu mesma estarei lá.

não dá pra perder nada do wagner. cada vez mais esse safado se afirma como um dos maiores artistas desse nosso brazil. e, como diz o itamar, sé é grande no brazil é grande em qq lugar do mundo, qdo o assunto é arte.

eu, q não sou bobo, estou colado nele. (não sou tão interesseiro assim. eu e wagner somos amigos demais, nos amamos profundamente). tão colado q participo dessa performance, através de video.

mesmo assim vale a pena conferir.


luz q se acende no flagrante do adultério

cartão vermelho subindo pela mão do juiz

a tarja preta do remédio do filho da patroa

a coreografia e a camiseta banhada de mar da garota do fantástico

tédio e pólvora na voz silenciosa desse domingo

quinta amanhã

quis a vida q eu o danilo, ex-danislau e ex-futuro danilo augusto, me visse arrodeado desses bons meninos: wagner único schwartz entre tantos bernardes, e moisés e ênio, primos-primeiros na arquetípica roça roseana do alto paranaíba - com que sangue emcomum se compusera o burro-qdo-foge de nossas peles?

a música pode ser o sangue celestial incorpóreo a eriçar nossas peles irmanadas no arrepio comum que é estarmos vivos aqui e juntos

convido meus amigos a bebermos juntos dessa fronte




this is the end (este é o fim)

o hudson veio a falecer, cara? q xato... dá um google em xateado e tem uma foto do bruno et xateado pracaralho no enterro do nosso mano. o defunto de pau duro. uma beldade de moçambique acabou de entrar na olavo chaves, veio de avião para ver pela última vez o papo mais interessante q ela houvera conhecido. uma lágrima cai na lente do óculos do defunto, que abre aquele sorriso de hudson q é como diz a música do vanguart, sorrir movendo quase nada. olha, o pênis do moribundo está ereto. isso é normal, tem alguém da universidade aí? o defunto quer ser enterrado com a beldade de moçambique, foram enterrados juntos, coito eterno sob a terra. nasce uma árvore no local, o bruno et já recomposto da perda do amigo está a colher esse mato, vamos todos cachimbar felizes o hudson em amor carnal, o gênio de óculos transando feito um louco na lâmpada de aladim q é sua urna última.
toca a campanhia vou atender é o deylor preocupado com tantos telefonemas em vão esbarrando na mensagem da menina simpática da telefonia dizendo esse telefone não existe muito menos o danilo dono dele quiçá não exista mesmo vida no entorno eletromagnético desse nove um meia meia.

aí eu vou lá fora enrolado na toalha chaves na mão o cabelo molhado enrolado tb naquela alegria resplandecente (e sinceríssima) que eu apresento nesses momentos de tristeza aguda banhada no pedal de efeito da lorenzetti

e o deylor escolhendo onde pisar na trajetória acidentada da minha casa, afinada como de costume no diapasão de sarajevo, dizendo à porta do banheiro que que é isso danilo, vamo dar um jeito nisso aqui, cara

e eu brincando c ele aquela brincadeira q é um jeito meu de ser com esses meus amigos bonitinhos das antigas: porra deyloca, pq c tá olhando assim pra cima, cara? tá com medo de esbarrar a visão na mata escura florestada sobre meus bagos, amizade? não lhe parece simpático meu pinto assim escrito em letra minúscula, reproduzindo com a água do chuveiro o movimento fundamental da vida?

aí a gente riu nossas vozes, vozes que engrossaram juntas, ele no abaeté dele, eu na abaeté minha

quinta depois do amanhã

quis a vida q eu o danilo, ex-danislau e ex-futuro danilo augusto, me visse arrodeado desses bons meninos: wagner único schwartz entre tantos bernardes, e moisés e ênio, primos-primeiros na arquetípica roça roseana do alto paranaíba - com que sangue emcomum se compusera o burro-qdo-foge de nossas peles?

a música pode ser o sangue celestial incorpóreo a eriçar nossas peles irmanadas no arrepio comum que é estarmos vivos aqui e juntos

convido meus amigos a bebermos juntos dessa fronte




placebo 2008

wagner schwartz está no brazil

esteve c a gente um tempo bom

fizemos juntos um show q foi delícia. ainda nos ensaios, eu desconfiava q a apresentação não poderia ser melhor q o processo. era sair da casa do moita, depois dos sons, e continuar a vida pisando nas nuvens

como é simplório dizer q estar com o wagner é estimulante. deus é mais.

a gente rir assim com ele é a amizade.

num dos ensaios, wagner mostrou o livro do bachelard q ia dar pra aninha. eram 4 da tarde, às 8 da noite a aninha ia apresentar seu fluxograma no palco de arte. tinha um negócio de universidade no meio, e eu, recém açoitado na banca de mestrado, comovido, propus:

vamo fazer uma música pra dar de presente pra aninha

aí a gente cantou e gravou e essa música está no espetáculo de hoje

agora são 5 da tarde e logo mais, às 9, o wagner entra em cena

chove aqui em uberlândia, como deve chover sempre antes de uma coisa grande. onde estará meu amigo agora?


Broder, fiquei muito feliz qdo vc disse que rolaria pra
vc.

Acho q é hora de a gente constituir uma experiência de
vida muito louca, para ser lembrada até o final de
nossa jornada pela terra.

Viajar de bike deve ser ducarai, porque poderemos
sentir cada palmo de terra pelo tato, venceremos cada
metro com a força de nossas pernas.

Vamos contemplar o relevo, os rios, as estradas, os
vilarejos, as pessoas, o nascer e pôr do sol. Vamos
mergulhar no nosso universo, no nosso sertão, sem a
redoma dos automóveis.

Vamos cruzar o Nada, partindo de nossa querida Abaeté.
O rumo: fazenda do Odilon, Patos do Abaeté,
Biquinhas, Morada Nova, Rio São Francisco, Três Marias.

Depois de atravessado o rio da BR 040... os sertões de
Guimarães Rosa! Depois dos sertões, a superfície lunar
e as cachoeiras de Diamantina.

E o melhor de tudo: dias e dias trocando idéia, vendo
juntos, almoçando, tomando café.

Teremos q superar as imensas dificuldades do sair.
Calendário, trampo, grana, logística, etc. Que são
essas coisas perto da Vida? da Experiência?

Por mais foda que seja, vamos realizar essa viagem. Fazer isso juntos.

star putz de cara nova

e o star putz está de cara nova

o gustavo lucas, meu amigo das antigas, designer da luz e do som - visite o www.republicadopensamento.blogspot.com e conheça o trabalho do cara: ótimos poemas, prosas-porradas, o homem é um artista de mão cheia - resolveu dar uma geral nesse nosso blog´s e deu no q deu. eu gostei pacaraio. o güs, além de escritor, arrebenta quando produz lay-outs e sites e etc. passou a mão na bunda do star putz, está aí um blog arrepiado de prazer.

essa janelinha de videos aqui do lado, adorei. assim q terminar uns trampos aqui vou aprender a mexer nela.

e preparem-se para as cenas do próximo capítulo. eu e güs vamos aprontar mais algumas.
é chinelage mesmo, tem q ver xou com os pés descalços, rodando a camiseta no ar, aô fedor. os meninos fazem assim.

axilas de se lamber, ela não tirou a camiseta nem estava descalça, mas lançou como pôde os braços para o céu impossível

eu de cá pude captar o que não se lança mas sempre se receberá: a visão da pele certamente quente por baixo do braço

imagino q tipo de percepção dessa menina eu poderia experimentar ao segurar com minhas mãos o quente de sua pele

e que percepção ela teria de mim ao que sentisse o sinal de desejo que envio ao apertar seu corpo com agressiva delicadeza

nessas imaginações, haverá corpo? e no q a gente se pega, o quanto não será imaginação?

titanoterapia

para os paroquiais de uberlândia, eu prescrevo igreja

para os policiadores da moral, prescrevo polícia

para quem nunca entende os motivos, eu prescrevo

para os assépticos, bichos escrotos

para os detentores da verdade, saia de mim
love is the word

mapa

a gente incorpora um som à nossa sensibilidade e depois revisita essa sensibilidade, talvez já perdida, através daquele som
o homem come
por fome tédio carência

o homem ama
por sede ciúme desejo

o homem come
por sede ciúme desejo

o homem ama
por fome tédio carência


pra onde vc olha qdo olha para longe?


(em parceria com talles lopes)
Danislau says:
é giordany mesmo?

cara, sou amigo do danilo

então sou eu quem fala, não ele

falo pela boca dele do msn, né?

então, meu nome é orestes

faço história, vim de paracatu

diz o danilo q eu lembro um amigo de vcs, o deylor

então, sou um cara meio sem amigos

tô meio isoladão, sabe?

não gosto muito de sair sozinho, mas como ngm anima, saio

vou muito no semáforo, q é perto do meu pensionato

diz o danilo q amigo é igual namorada, não se sai em busca, aparece

mas tá difícil aparecer, pq qto mais o tempo passa mais minha moral cai

se pinta um broder em potencial, pra mim é quase como se fosse mulher

fico meio estabanado, embolo tudo, é foda

o danilo vc sabe q é um cara muito gente boa

isso todo mundo acha, inclusive eu

liguei pro cara, fiz a seguinte proposta

uma sociedade:

como eu estou bem de grana

disse a ele

cara

estou bem controladinho de dinheiro

então te proponho essa sociedade

eu entro com a grana

vc entra com a amizade

o cara topou

uma vez por semana posso ir na casa dele, onde estou agora

e toda quarta a gente vai na sauna

posso te propor o mesmo?

soube q vc tb é um cara massa

qq coisa, escreva

orestesnota10@yahoo.com.br

aguardando respostas
SUBINDO, subindo, tudo pequeno lá embaixo. Aqui em cima são castelinhos de nuvem com jogo de luz. Subir mais (zoom out radical no google earth), até se apagarem todas as luzes de sempre. Até o sol virar estrelinha. Quinta, sexta,sétima grandeza. Inversão proporcional, acender as luzes de dentro, dar mais número à própria grandeza, fogo baixo fogo alto. Terceira, segunda, primeira, ser o sol de si mesmo. Assim, ao sol de si mesmo, embebido da luz dos altos desertos,começar a descer de novo. Ceder à sedução da gravidade. Se dar ao prazer de luzir por aqui, com um sorriso de primeira grandeza para a coisa mais insignificante dessa esquina,
daquela.

vinheta

Cá estou eu, senhoras e senhores. Entre o video in e o video out. Entre o audio in e o audio out. Não sei se isso é bem um lugar, mas meu espaço nunca foi questão de onde. Como meu tempo nunca foi questão de quanto. Apresento-me: sou o sinal de video. Experimento o sabor do cobre das veias que percorro, através dos cabos, antes de explodir meus 3 fogos na superfície da tela, piscina sem fundura onde finalmente possamos nos encontrar: eu com meu não-tempo, vc com seu não-lugar.

amianto-kid

contar como foi. ah foi assim.

senti, dia desses, a necessidade de criar uns nomes. o arnaldo antunes disse uma vez assim q não existia nome para o seguinte fato: um montinho de terra entre as mãos(dadas)de duas pessoas caminhando juntas. por aí. mas foi q eu me dei conta q precisava nomear, para facilitar o acesso, alguns fenômenos importantes da minha vida. dar-lhes nome seria, desconfio, uma forma de subjugá-los. pq ou sou ele ou são eles.

pra vcs saberem. precisava nomear o empoeirado das minhas coisas, a camada de poeira que inevitavelmente vem se instalando sobre meus objetos e subjetos. eu fui mexer nuns cedês antigos, e lá estava Príon. fui tentar resgatar um par de meias menos sujas no meu balaio de roupas sujas, intocado há quase um mês, e lá estava Príon.

Príon machuca as mãos, sem q elas doam. nada disso. não é dor, nem incômodo, nem machucado, nem gastura. gastura. gastura diz bem o que seja o contato com Príon. taí.

convivo com Príon, ele tem feito parte da minha vida, ultimamente. qdo me lembrar desses tempos, vou pensar: tempos vividos sob o signo de Príon.

falando nisso, qdo me lembrar deses tempos, do que mais vou lembrar? Luminens. Luminens é o escuro do presente que se revela ao que transcorre Tempo. cintilante Luminens, pacífico Luminens.

O escuro do presente tb merece nome. inominado, todavia, permanecerá, dado viva (viva?) sob o signo do Não.

do escuro do presente, manchado de Príon, buscando a todo custo Luminens, envio essa carta à humanidade, prometendo um dia voltar, e voltar armado. amianto-kid, o herói da eternit.
hj é terça feira e amanheceu um dia lindo aqui na uberlândia. Sabemos todos os moradores q teremos pela frente um dia de calor esquisito.

não sei se os colegas aí do mundo afora sabem, mas o clima de uberlãndia é uma catástrofe, hj em dia. Aqui, no passado natural, corriam tantos e belos rios q ai ai ai. É o rio araguari, é o rio uberabinha. O rio araguari, q recebe o uberabinha, sempre foi um colosso de beleza e energia. aô.

Hj ele é a expressão da fraqueza, coitado. Virou lagoa. Os caras chuparam a energia dele toda pra abastecer umas indústria aí, sei lá. Os caras não sabem da importância da água para esse nosso planetão de deus, e vão mexendo no q estava certinho, "inconscientes" do mal q isso pode trazer.

O rio é igual cachorro, está sempre no lugar certo. Se ele corre ali, é pq tem muita, mas muita coisa harmonizada com esse curso, esse volume etc. Então NÃO PODE REPRESAR. Então não pode, senhor lula, "transpor" o rio são francisco. Vai transpor o que é seu. Ah, a seca do nordeste? se vira. Que adianta trocar um problema por outro? a gente né trouxa não, seus gravata. a gente sabe dessas intenções de dedim gelado de uísque.

ontem deu no jornal o tanto de bicho q morreu, espécies deletadas, com a última represinha no rio araguari, "apesar das medidas compensatórias". medidas compensatórias. Quem acredita nessa palavra, "compensatória"?

mas eu tava falando do calorzão. uberlândia tá virando uma itumbiara, cidade mais quente q cuiabá, vixe. o pq todo mundo sabe. espelhos e espelhos dágua em torno. impacto mais evidente das represas, nego não tá aguentando o calor disso aqui. amigo meu já foi embora, só por causa do calor.

sempre fui puto com isso, hj resolvi falar pra estabelecer uma ironia com o q se passou de manhã, comigo. acordei, o funcionário do dmae (departamento de águas) veio cortar meu fornecimento. cortar a água. cortar a minha, vai, meno male, eu sou um burguês classe média temporariamente sem grana p pagar as contas, dá-se um jeito. mas o q é cortar a água, meusamigo?

cortar a água.

isso parece uma medida de guerra, daquelas guerras bem baixaria.

tenho certeza absoluta q já cortaram água de muita gente c neném em casa, doente em casa. gente em situação diferente da minha, gente sem grana mesmo e por muito tempo. e vai se foder quem disser ah pq não trabalha, pq todo mundo sabe q aqui no brazil o buraco é mais embaixo.

água não pode cortar de jeito nenhum. tanta água correndo aí, água desviada, água represada. ah, mas não pagou a conta. foda-se. se vira c isso tb. cria um critério aí. cs não tão aí c essa cara de bosta enchendo o saco pedindo voto?

(esse post tem raciocínio primário? tem. é meio punkie? é. mas sofisticação não enche bacia de ninguém, e a gente pensa é assim, porque a gente somos burro mesmo)

literatura ai ai ai

vamos por parties

hj começa a flu, festa literária de uberlândia. me convidaram pra dar uma oficina sobre literatura e internet. avisei: não estou falando nada com nada. ah, tudo bem, literatura o que é? liberdade. sendo assim, aceitei. cliquem aqui e conheçam o site do evento.

2) deixa eu contar pra vcs a incrível história de como me tornei mestre em literatura. antes divido o imenso prazer q é escrever mestre com letra minúscula. dividido está. meus amigos agora só me chamam de mestre, e não deixo de ver nisso uma certa ironia. mas tudo bem, amigo é amizade.

meu nome é danilo e eu sou formado. me formei-me em letras alguns anos atrás, deus vai saber qtos. foi dsmai bom estudar. a universidade p mim nunca foi meio para. sempre foi fim. estava lá pq gostava de ficar descalço embaixo das árvores. gostava de ir p biblioteca escutar beethoven no fone. gostava de ficar bem doidão entre as estantes da biblioteca. gostava das aulas boas. nunca mais li poesia do mesmo jeito, depois q fiz um curso de poética. e por aí vai.

em todo caso, minha passagem pela universidade sempre foi mais uma coisa política q uma coisa, digamos, educacional. sempre fui adepto da performance institucional. pirar em palco é meio previsível. pirar onde não se espera fogo é mais contundente.

talvez ainda discuta o q rolou na minha banca - ai como essa palavra é simpática qdo se refere à loja de revista, e como é antipática qdo se refere a tribunal. merece alguns parágrafos aquele momento. não agora, pq eu tô correndo p assistir ao último do woody allen.

qdo for contar pra vcs sobre a bannnnnca, conto sobre o prazer de trabalhar com a joana muylaert, minha orientadora. nunca vi alguém conseguir articular, como ela articula, generosidade e competência. extremamente porra-louca naquela doçura toda, joana sabe cumprir os scripts com uma desenvoltura q só vendo. ah joana, não fossem vc e a luciene azevedo, brilho em pessoa, como suportar a arrogância blasê q é um tribunal de academia.

em todo caso, conto agora tb como foi bom responder à não menos exuberante paula arbex, preocupada c minha sobrevivência ao tribunal:

- paulinha, estou ileso. como levar a sério um negócio que termina estando todos de pé para ouvir a ata de aprovação?

disse isso p elaine, coordenadora do mestrado, q me incomodou, matou de vergonha aquele negócio de estar em pé. ao q ela disse: mas menino, é a hora em q vc recebeu um título. não ficaste emocionado?

disse a ela: não, não fiquei emocionado. fiquei emocionado, instigado, feliz, alma em pé, depois da discussão sobre o oswald na aula do tollendal, semestres atrás. ou na aula da joana, sobre o ricardo piglia. nesses momentos sim, saí radiante. o q é um título mestre em literatura? pra mim, vale nada. como disse, estudar p mim é fim, não meio. alegria é a prova dos 9.
quem sabe, no futuro, eu não rapte vc da casa da sua vó, com meu cavalo,de modo que saiamos galopando vc agarrada na minha cintura cabelos ao vento, até o sinal ficar vermelho e a gente tenha q parar?

flying

chegando em casa, ô bagunça. emblemas emblemas emblemas

chegaremos lá

no aeroporto de sampaulo, de manhã, meia hora de sono apenas antes, tive q dizer ao vinício: cara, eu não tenho absoluta certeza de estar aqui. isso é novo p mim, primeira vez, i am not sure i am here. tá tudo fora de foco, algum pedal de efeito aplicado na minha visão, algum hiato entre mim e o plano chapado q são as coisas q vejo.

rapaz.

alguns dias antes, cuyaba, aquela alegria toda, mil bandas, todo mundo deslumbrado, rip rip urra. eu mais bossa nova, tristeza não tem fim, felicidade sim.

algum hiato entre mim e a alegria do mundo.

vi um menino q achei lindo em cuiabá.

eu já o tinha visto antes, é um artista. contra-pedal de efeito, eu, de dentro do plano chapado das coisas q ele vê, me vi transportado pra algum cômodo dentro dele, sei lá, simpatia: mesmo pathos. gostei da maneira como a expressão de seu rosto responde ao mundo q ele vê e talvez habita.

e foi essa expressão q me sugeriu: ele não está [apenas]aqui. não sei se ele está certo de estar onde está, imagino que está demais dentro de si mesmo, porque a expressão constante no rosto é uma imagem que só vi em menino sensível à mercê do lsd. seja como for, em meio a tanta euforia cuiabana, foi bom descentrar-me de mim e centrar-me nesse cara. gosto de ouvir gente no walk man, foi poesia pura pegar uma carona na soft vibe dele. seu nome (tudo a ver esse nome)

tata aeroplano.

a banda dele eu estou ouvindo agora, profundamente comovido:

(também a propósito, em face das discussões desse post, o nome da banda)

cérebro eletrônico

"amanheça de cabeça dentro dela", diz a música q acabei de ouvir, de.

Porcas no Itaú Cultural

Caminham soridentes pelas ruas de são paulo capital os meninos do porcas borboletas. fazem festa, almoçam juntos, um diz olha aquilo lá q q isso cara pra poder roubar uma batata frita do colega procurando o que seria aquilo a se olhar tão urgentemente. era pra olhar mas era pra não ver o que se passava embaixo do próprio nariz, o adeus impassível da batata frita, prestes a se tornar aquele que a devora, traquinas rapaz longe de casa longe de qualquer organização ou referência que lhe permita dizer não não não, não sou uma batata frita viajando do prato de hoje para o prato da manhã dizendo um adeus impassível de batata frita. a metamorfose de franz kafka fica sendo meu deus hoje amaheci uma bata frita saindo do prato de cuiabá pra virar são paulo.

a boca nervosa de são paulo.

os dentes de são paulo.

a gente virou são paulo, o vinícios ladrão de batata virou a batata frita que roubou do meu prato, quiséramos nós são paulo virasse porcas um pouquim que seja borboletas então o jeito é entrar pela boca do itaú cultural

apresentação do porcas no itaú cultural da avenida paulista na próxima quinta feira dia 14 a partir das 19 e 30 com ingressos distribuídos gratuitamente a partir das 18 e 30

mastigando a informaçlão:

com ingressos distribuídos gratuitamente porcas no itaú cultural dia 14 a partir das 19 e 30 apresentação gratuitamente a partir das 18 e 30 dia 14 a partir das 19

porcas no itaú cultural da avenida paulista na próxima quinta feira dia 14 a partir das 19 e 30 com ingressos paulo, o vinícios ladrão de batata virou a batata frita que roubou do meu prato, quiséramos nós colega procurando o que seria aquilo a se olhar tão urgentemente. era pra olhar mas era pra não ver o que se passava embaixo do próprio nariz, o adeus impassível adeus impassível de batata frita. a metamorfose de franz kafka fica sendo meu deus hoje amaheci uma bata frita saindo do prato de cuiabá pra virar são paulo.
tamo eu e theo aqui pelados corpo de ducha

em meio às caixas de som ouvindo disco

quando entrou a oração ao tempo do caetano

- aquela q tem uma comparação perfeita q é:

és um senhor tão bonito qto a cara do meu filho -

aparece a capa do disco, cinema transcendental

e o caetano cabeludo de costas corpo de mar olhando o oceano

nisso o theo aponta p ele e diz: PAPUM!

(papum sou eu)

ri de alegria

parecer com o caetano, pra mim, é sinal de saúde e beleza

nisso o theo estabeleceu outra comparação?, dizendo:

papum

és um senhor tão bonito

qto a cara do caetano

?

rir!

sábado de manhã é pelado de ducha.

e saravá pra todo mundo

escala menor

em abaeté tem uma escola antiga, fachada de casarão, imponente daquele jeito, chama o frederico a escola

quem passa na frente do frederico nas madrugadas de abaeté escuta a maria-toca-piano

o nome de fantasma mais bonito que já vi

maria-toca-piano

eu passava em frente ao frederico de bike qdo era menino e geralmente nesses momentos não queria saber de música

a música q eu ouvia era o pedalar acelerado

era como se eu colocasse provisoriamente os ouvidos debaixo do subaco

um dia

depois de algum alco

cheio de coragem-medim

aquela vontade dark side

parei de frente ao frederico e esperei maria tocar

pensei alto: toca um pouco pra mim maria

queria ouvir q música produzia alguém já conhecido da morte

como a morte soaria

soprou vento frio, eu morrendo de medo

maria ainda vai tocar pra mim

(pra vc tb)



publicado originalmente no blog do porcas borboletas


.....

boi boi boi

andei de lá pra cá, sequei ao sol meu cabelo molhado de chuva, dormi de meia pra não sentir frio na noite de colchão no chão, fui julgado e condenado pela paróquia de uberlândia, engoli secos de saudade do meu filho, gritei aos céus uns whata fucking is happening, dio como te amo, mil anéns, mil rararás. inscrevi 700 km uberlandenses em minhas pernas cansadas de guerra, ri junto depois de chorar um rio separados, vi comovido meu carrinho se despedir de mim enquanto tomava posição no carro de reboque, penteei meus cabelos com as noites e os dias passando inclementemente sobre minha cabeça para que o destino, esse deus louco que mora no correr dos fatos,

me conduzisse à cama vazia do meu pai.

madrugada altíssima, chegamos eu, meu carrinho, o motorista e o carro de reboque à rua altamir josé ferreira, em patos de minas.

humbertim e virgínia já tinham destinado as camas: a da sala para o motorista, a do meu pai - viajante pelos sertões do goyas - para mim

a alegria de me deitar na cama do meu pai, cama mesmo, elevada ao ar, me lembrou o que eu nunca vou esquecer:

uma vez q, em tres marias, nos primordiais anos 80, eu havia preparado um misto quente e um copo de coca para cada um de dois priminhos meus. eles moravam não sei ondé, e, pobrezinho que eram, mal conseguiram comer o rango, de tanto rir. ficaram chapadões pela alegria de tomarem coca, comerem misto.

riram com a boca aberta, riram um olhando pro outro, fizeram festa. eu achei, no momento, tudo tão deliciosamente piegas, tão engraçado, e ao mesmo tempo absolutamente comovente. eles estavam muito irmãos ali na alegria daquele misto. interessante o contraste: eles rindo de boca aberta na cozinha, eu soluçando com as mãos no joelho na despensa.

aí ontem, na cama do meu pai, eu fui meus primos. fiz cara de alex - do laranja mecanica - qdo é recebido na home, depois (e antes, coitado) de muito apanhar. espichei o corpo, me virei de lado gemendo um aiai. eu estava para dormir na cama do meu pai. depois de 25 anos?

melhor sono da vida.


...

NOME PRÓPRIO

Por essa janela aí abaixo vc pode ver o clipe da música-tema de NOME PRÓPRIO, filme de murilo salles que acabou de estrear em várias salas do brazil. Com interpretação exuberante da leandra leal, o filme está baseado em algumas coisas de nossa clarah averbuck. Tanto o clipe qto o filme não são de se perder, confie em quem não quer enganar ninguém. A música é do Porcas Borboletas. Com o passar dos dias vou falando mais dessa parceria que é um acontecimento gigante na história do Porcas.





http://www.youtube.com/watch?v=XEonGSr6obc

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Video c ego

Taí o video do herói hesitante.

o invasor

DE COMO VIAJAMOS DE FÉRIAS PARA PERNAMBUCO E CONHECEMOS O JOVEM MORENO QUE, MEIO COMO O INVASOR DO FILME DO BETO BRANT, COLOU NA GENTE

bonito demais, corpo de causar furor mesmo em quem nunca houvesse desejado conscientemente o corpo de um homem.

deliciosamente incômoda a primeira vez em q tirou a camisa perto da gente: eu tentando represar a respiração, misto de orgulho ferido e curiosidade, e minha namorada não conseguindo represar o olhar - como perder tal espetáculo? - desaguando-se por inteira no oceano negro da sua pele.

meu inimigo ele? com que sucesso ele conseguia destilar aquele carisma, feitiço embriagando com sabe-se lá quais venenos o olhar já convertido da minha menina.

eu contando aflito o fim dos nossos dias em pernambuco. mas a praia o biquini o sol e aquela companhia dolorosa já eram inevitáveis.

ele contando aflito o fim dos nossos dias em pernambuco. completamente tarado por minha namorada, queria porque queria, e tinha pouco tempo.

achei q ela ia gozar quando ele abaixou a bermuda pra ficar de sunga, na praia. indisfarçável o convite, o muito que se viu era muita promessa. e o movimento se deu tão insolentemente que faltou a voz, que quase se ouvia: olha.

os dias agora eram reféns daquela transa. não haveria correr do tempo enqto não estivessem juntos.

estiveram. alguém tinha que ir ao banco. o sol estava quente demais, ela pediu pra ficar. como ela foi sincera dizendo com a boca "o sol tá muito quente" e com os olhos "vc sabe que eu tenho q ficar aqui um pouco"

no caminho, não sei se por alucinação, mas achei que alguma coisa estava diferente no céu.

qdo voltei, percebi que o correr do tempo já havia recuperado suas forças. dia seguinte, retornamos. nunca mais falamos nele. de vez em qdo, recebo sua visita em sonho. ato contínuo, busco com sede o corpo da minha mulher, na osbcuridade dos lençóis e da madrugada

não sei quem transa com ela, nesses momentos. se eu, ou o invasor.

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Grande sertão: veredas

taí o video que fez parte da performance q eu, o moita e o ricardim apresentamos no goma, em uberlândia, no sarau em torno do centenário do guimarães rosa.


tenda coração de jesus

sempre gostei de religião. gostar de religião, hj, pode soar meio ingênuo, dado o aparecimento dessas tantas religiões picaretas por aí afora. pode soar ingênuo tb qdo se está sob influência desse pensamento racional dito materialista, coisa de universitário. incrusive acho legítimo negar um certo deus - o deus pai vigiliante, punitivo, por ex., ou um certo cristianismo (o cristianismo é culposo, fundado na culpa individualista. mas não vejo cristo assim. cristo, ao meu ver, não é cristão, nesse sentido. cristo é um cara muito doido, né só cabelim não). diz um cara aí, não sei quem, que se o pensamento materialista e ateu da europa aportasse com força na áfrica, levando todo mundo a não acreditar mais em deuses, o prejuízo era certo: baubau tantas danças, rituais, músicas. na dúvida entre deus existir ou não, fiquemos com deus-existindo: vale a pena, tentar louvar seus deuses torna o homem mais divino.

então sempre curti isso, desde os tempos em que era coroinha, em três marias. gostava dos incensos, da música, do sino, da mitologia bíblica. do terço modal das velhinhas. dos vitrais. do gestual. gostava da expressão contrita das pessoas. gostava do estar-junto que eram as festas. gostava de me comungar, achava perfeito isso de celebrar a fusão de corpos através do comer na mesma mesa.

até que virei um cara muito doido, experimentei a contracultura, mandei a igreja católica plantar batata. não deixei de curtir uma ou outra festa junina, um ou outro terço, mas missa frequente, dizer-me católico, não mais.

e assim fiquei, mergulhando em outras divindades, sem a mediação institucional.

até que o destino me levou a conhecer a tenda coração de jesus. era o dia 24 de junho de 2005, três anos atrás. festa de xangô, de são joão, do pai joão da bahia - chefe espiritual da casa -, e aniversário do terreiro. fui completamente arrebatado por tudo aquilo. tanta gente dançando, fumaça de ervas santas no ar, pemba, batuque. os pretos velhos na terra. xangô na terra. de lá pra cá, nunca mais me ausentei da casa. todas as quartas feiras q posso, estou lá.

porque vi no terreiro o espaço da transcendência total. transcende-se o espaço, com a presença de entidades de sei-lá-que-espaço. o espaço, aqui, não conta tanto. transcende-se o tempo, porque ali estão os espíritos de sei-lá-que-tempo. transcende-se o sexo, com a incorporação de, por exemplo, uma preta velha em medium homem. ali é além.

sem contar na sabedoria das pessoas. dona marlene de xangô, minha madrinha pra se orgulhar sempre, me dizendo que os orixás são a natureza, e que a gente canta e dança pra eles pra saudar e estar junto da natureza. ou o pai marcelo, dizendo que gosta de passar em vigília da quinta-feira pra sexta-feira santa porque, à meia noite, juntam-se os tempos da quinta com os tempos da sexta, numa - olha q poesia a do pai marcelo - "pororoca incrível".

impossível reproduzir as maravilhas q encontrei lá. possível dizer q encontrei amizades profundas.

e encontro agora a ocasião que sempre esperei, a de escrever sobre nossa ialorixá, tb minha madrinha, mãe irene de nanã. ela que recebeu, no último dia 24, a comenda pelos 14 anos à frente do terreiro. q inveja sempre senti pelo dorival caymmy, q cantou tão bem sua menininha de gantois. mãe irene merece um canto assim. nem tanto pela sua inegável força espiritual - todo mundo conhece algum episódio q sinalize para sua força - qto pela maneira com que se posta nesse mundo. adoro observar sua progressão fisionômica ao longo dos trabalhos. gosto de ver a presença de deus no semblante dela, a embriaguez de bondade e prazer estampada no rosto depois dos rituais todos. deus na terra. do lado de cá, no espaço reservado à assistência, contemplo, ao lado de tantos fãs dela, seu ir e vir elegante. e percebo que, em sua presença, pude sentir com clareza um sentimento já esquecido, mesmo q ainda muito vivo: o prazer de estar - felizão - do lado da mãe nossa.




...
ai ai. 4 e meia. espreguiço-me austero? bichos escrotos saíram dos esgotos.

duas maneiras de pintar uma tela, escrever um texto. de dentro ou de fora. de dentro é ir indo, depois vejo qual foi. de fora é ir retocando, ajustando no cofiar da barbicha, depois eu entro.

mergulhar nas palavras porque elas mergulharam em mim, no sempre pretérito.

o sempre pretérito é aquele tempo, esse tempo, temporal de chuva, temporão de chivas, temporao.

o texto acham q corre pelas mãos de quem escreve, o texto acho q corre por si. mistério do texto é esse, correr por si pela mão de quem.

eu que agora escrevo sei que não posso tudo. posso tudo nesse não poder tudo. posso não posso? sexo o que é? poder tudo no caber restrito do corpo. quem já vôou abraçado? colocou uma menina inteira dentro da boca?

nos tempos primitivos infantis da minha vida escolar, havia os repetentes. o estigma do repetente. o repetente era sempre o pobre, isso era. havia uma resignação no ser repetente, c é repetente? sou. c é mais burro que eu? sou. eu desconfiava que ele era mais burro porque era mais pobre, que pobre analista social eu era, mas pensava assim. q se eu fosse ele era repetente, q se ele fosse filho de funcionáril do banco do brasil não. as meninas repetentes davam. as que não não. se eu tivesse comido alguma menina na quinta série, ela seria repetente. essa poética tá me lembrando o wagner schwartz, que me ama profundamente quando não gosta das coisas q eu escrevou faço.

eu sou repetente hj. meu tesão é bertolucciano, bertolucci é o cara q fez o filme em que o marlon brando come friamente o cu da menina navegando na manteiga, que fez o filme em que a irmã esfrega a doçura do espanador na bunda do mano em penitência de punheta. bertolucci, o tesão a sangue frio. meu tesão é bertolucciano tb, porque não sou monogâmico no meu tesão. nelson rodrigues, marcelo rubens paiva, arrigo barnabé, xico sá.

o tesão é o exercício da sinceridade, como o tombo.

vc me chama para ir no cinema. a gente caminhando de mãos dadas pela vida inteira.

estou consciente dos podes e dos não podes, estremamente conciente.

quem participa da minha confraria sabe o qto é bom. tanto amor nas madrugadas. viver o que é? viver dá pra viver de duas maneiras. de dentro ou de fora, como se escrevesse ou pintasse. então viver de dentro e de fora.

porque vai chegar a hora em q nos libertaremos do olhar. aí é nem dentro nem fora. aí é esparso, tudo.

aí o que fica é o ridículo.

como é bom esse ridiculozinho nosso.




......

coming back

Dois amigos de brasília mandaram recados q aqui reproduzo

um recado vai em discurso indireto: o gustavo lucas mandando eu abandonar o blog não, cara.

o outro vai por control c control v, por ter sido ele mesmo enviado através do copiar/ colar. recado postado há algumas dolorosas décadas pelo senhor oscar wilde, e que a dani quis chegasse até mim:

Os que não amam senão uma vez na vida são os verdadeiramente superficiais. O que eles chamam lealdade e fidelidade, eu chamo a letargia do costume ou a falta de imaginação. Há muitas coisas que abandonaríamos se não temêssemos que outros as apanhassem.

e

O único meio de livrar-se de uma tentação é ceder a ela. Se lhe resistirmos, as nossas almas ficarão doentes, desejando as coisas que se proibiram a si mesmas, e, além disso, sentirão desejo por aquilo que umas leis monstruosas fizeram monstruoso e ilegal.

dois (três) recados pra lá de estimulantes, vamo dar um jeito nessa bodega de blog aqui. soprar a poeira, jogar uns papéis (que sugestivo o duplo triplo sentido de "papéis") fora. está aqui um blog amigo do dizer, mesmo que calado. um blog amigo do amar, mesmo que insensível. um blog amigo das tentações dessa vida. um blog de cabelos molhados, suado, pelado e de pau duro.

(uma pausa para degustar isso: pau duro, pau duro, pau duro.)

sumido por que estava eu? caminhando por aí, sem internete em casa, se der vontade vou contando um pouco das minhas loucas aventuras, ao longo desses longos meses que ainda nos restam. por enqto, adianto que acabou de chegar meu atraso de vida, conecsão o que é?

qto a nós.

nós vamos à guerra com pé de pato, ou com roupinha ridícula de turista que o valha.

nós vamos à guerra de bermudinha da hering.

à praia, de a pé, soturno coturno punk.

espero que possamos sentar o pé e a mão.

manicure pedicure.

ademais, dá-lhe control c control v, dá-lhe itálico caps lock reticências e, sobretudo, interrogação e exclamação.


...............
...


um dois três passos atrás

eis q a vida se descortina

estar dentro é estar cego

cego estou dentro de mim

cego estás dentro de ti

consciência disso ameniza a cegueira?

calado estou menos errado

calados somos mais juntos

tudo é perdição quando há pronúncia

tanto q pronúncia proveitosa é o que pode haver de louvável nessa atividade humana

porque o terreno é perigoso

pessoa foi quem acertou: pensar é estar doente dos olhos

pensamento/ linguagem sob suspeita máxima

qta burrice estruturar uma vida sobre o terreno das assertivas

silêncio é paz, bla bla bla é guerra

faz silêncio, não faça a guerra

tanto que o amor

o amor é qdo a paixão vira silêncio

findepapo?


...

in/ out

a caixa de papelão é uma caverna a qual atravessam as coisas da casa, quando a gente se muda. então não há por que estacionar no meio do caminho, continuar a viver dentro de uma caixa, mesmo com os objetos devidamente desovados. porque a vida é o mistério da caixa aberta, a anti-caixa que a gente atravessa. existirem estrelas no céu e estrelas no olhar de alguma menina atesta o aberto que é a vida. eu gozo e choro e sangro porque explode a semente sob o chão violado, porque essa frase está crescendo palavra a palavra agora, porque irromper como respirar é cumprir o sacrifício-emblema da vida: travessia.

ícaro de walk man

valham-me as onomatopéias para tombo, serão elas válidas tb para som de trovão?

conheci o chão da avenida joão naves numa noite bonita e fresca. o tempo: buraco pneu ar desgoverno...

o sei qto tempo de desgoverno foi momento de luz e dor. tive tempo para escolher como cair. leia bem rápido: protege a cabeça protege o saco oferece o braço pra insensibilidade desse asfalto devorador.

como diz o outro, lona.

outro momento cheio foi checar se estava tudo bem. não sem antes arrastar com a mão salva a bicicleta cavalo caído sem vida até o canteiro.

minutos respirando ofegante, intoxicação das mil adrenalinas.

hj catando feijão nesse teclado com a mão salva, o gesso inclemente no braço oposto esperando o q quero escrever nele: que venha abaixo, chelo, já quis demais alguma coisa já?

quero escrever tb a explicação dos fatos, sugestão do chelo. caiu de bicicleta numa noite de terça-feira na avenida joão naves de ávila, por ter furado o pneu dianteiro.

a explicação metafísica vai pro gesso metafísico: caiu porque estava voando, o vôo continua mesmo com o corpo abatido, abatido mas nem tanto, não está lá um corpo estendido no chão.

blog do porcas borboletas

morenos e morenas, vcs já conhecem o blog do porcas borboletas?

de vez em qdo desovo umas mal traçadas lá

as loucas aventuras do porcas borboletas

hj mesmo fiz um post sobre nossa última tournée

como esse star putz tá mei de férias, vale o remanejamento

http://blog.porcasborboletas.com.br/

foice?

ice kisses

rolem rolem rolem

vcs sabem o q é sair suado do cinema? é, ir ao cinema e sair suado e cansadão? calma, os lanterninha aqui de uberlândia, cidade pacata e catoholica do interior, são mais esperto q os anjos da inquisição. fiscalizar barato dos outros, aliás, é especialidade da nossa casa uberlandense. não tô falando de sair suado do cinema pela prática do mais gostoso dos esportes. falo em sair do cinema pela prática do segundo esporte mais gostoso: o rock n roll.

ontem fui ver o shine a light, filme do martin scorsese sobre os rolling stones. scorsese filmando os stones é tiro certeiro? é. ver banda pelas lentes de cinema, ainda mais as de um gênio como o scoresese, puta q nos pariu.

antes do filme começar, deu pra sacar q tinha fã da banda na área. um cara do lado do outro (na verdade, tinha uma cadeira vaga entre eles), celularzim tocando satisfaction, skolzinha na mão. finalmente a adominável pipoca achou seu lugar: na puta q a pariu. pipoca no cinema, desculpem-me os pipoqueiros, sempre me pareceu um emblema do tédio.

e foram esses dois caras quem saíram suadões do filme. q performance, a deles! barulhinho de latinha abrindo uma atrás da outra, gritos de "ai que vontade de fumar um cigarro!", "me dá um trago keith richards" dancinhas iguais as do mick jagger etc. genial. momento mais sublime foi quando entrou simpathy for the devil. ao q jagger dá voz ao Sedutor, com seu hope you guess my name, o rapaz, de pé, claro, se vira pra nós, os audientes, e brada, mãos ao alto: MY NAME IS LUCIFER!

Segundo momento mais legal foi quando o companheiro do rapaz - sancho pança dos pés à cabeça - se levantou para acompanhar o seu quixote nas dancinhas. perfeito, gente de pé dançando no cinema é cinema dentro do cinema, os stones e o scorsese iam adorar.

aí qdo o filme acabou deu pra ver uma respirada ofegante - gloriosa - do quixote. cansadaço, that is what rock n roll is all about. avacalhar sessão no cinema. gritar, como ele gritou: "vai tomar no cu, cristina aguillera!"

yes, i can get some satisfaction!

(horas antes da sessão, eu disse a uma amiga q era doido pra ficar velho logo. ela disse, como assim. shine a light responde tudo: assim, assados, como os stones. lindíssimas rugas)

keith richards é uma divindade, finalmente entendi a clarah. impressionante, é um lorde e uma pomba gira ao mesmo tempo. bruxo. a guitarra dele toca, mas quem rege é seu rosto. nunca em minha vida vi o rock n roll tão belamente encarnado qto nesse filme, na pele da película, na pele do keith richards. momento em que ele presenteia o buddy guy com sua guitarra - chorei. entrevista com o richards e com o ronnie wood, chorei. pra depois rir de gargalhar com o quixote e com o sancho. saí do cinema pisando alto, just like a rolling stone, obrigação de viver uma vida à altura desse mundo

tamosaí

estou feriado, quem reparou? tempão sem postar aqui no blog.

é q não resíduo mais onde morava, saímos de nossa casa no campo, voltei pro bairro santa mônica, aqui na uberlândia.

no dia em q fui-me embora, ressaca mortal (moral não, mortal. de ressaca moral não padeço mais. frequentei por 2 anos o católicos anônimos, consegui adiar meu câncer por algum tempo), mudar de casa no dia depois do niver da gente é uma coisa.

aí eu olhei ao redor, vi aquele mato todo, aquele passado todo, e pensei: posso romantizar e poetizar e sofrer com essa mudança, como posso agir objetivamente e cagar e andar. caguei e andei, colocamos as coisas no caminhão, tchau sem dor, não vou sofrer pra cumprir script.

aí aqui no satan monica, digo santa monica, quis escrever aos modos beatniks q amava o bairro com suas churrasqueiras fumegantes, seus salões de cabeleireiro, suas casas de videogame, suas meninas de saia, e que a bunda das meninas do sta monica era um fato político. o ricardim, q tb acabou de se mudar pra cá, observou uma coisa interessante: q o santa manca tem cheiro de maconha e de buceta. de fato, esse bairro é um paraíso.

agora eu tô sem internet em casa, por isso poucos posts. tá genial ficar assim, posso ter tempo para outros softwares além do msn messenger e do internet explorer. é aquela velha história, esse negócio de ficar bronzeando a cara com elétron de tela de computador... sei não.

mas tamosaí. possivelmente esse blog vai entrar no esquema sexo-de-casal-entediado. uma vez por semana, talvez duas, talvez nenhuma, vem um post. mas a frequencia do sexo só diminui para q não diminua a intensidade do sexo. o Leso, amigo meu dasantiga, foi quem disse: sexo é bom demais, e devia ser praticado uma vez por ano.

exagerar é bom pra esclarecer, entendi o q c disse, Leso, mas se for pra exagerar vamos exagerar para o mais!!!

então até a próxima, negritude
ressaca de crystal
bebida pior que crack
mas não estou tão mal
a vida está que tac
quem pode pode. que não pode, deve

clarah averbuck

minha convivência com a clarah começou antes de a gente se conhecer. eu tava fazendo um curso sensacional com uma professora sensacional - a luciene azevedo, que tá no itaú rumos literatura esse ano, aguardem e verão o estrago q essa moça vai fazer nas searas da crítica literária - o curso era sobre literatura brasileira contemporânea, e, obviamente, previa a leitura de umas coisas da averbuck. foi emblemática a maneira como a maryllu, com o máquina de pinball na mão, olhou pra mim e disse, misteriosa e confiante: cê vai gostar dela.

aí eu fui ler o máquina nesse dia. li o livro inteiro não de uma sentada, mas de uma caminhada só. li o livro em pé, caminhando de um lado pro outro do meu antigo apê, proferindo vez em qdo um puta que o pariu, um que qué isso companheiro?, um vai tomar no cu. disse ao moita, ele tá de prova: cara, há muitos anos não via um trampo de arte tão violento. o mais legal foi a clara intuição que eu tive antes de ler a primeira página. veio a Voz, um dia falo da Voz, a voz que, meio ao estilo mestre dos magos, vez por outra se sopra no meu ouvido, e que é sempre batata, tiro certo. a Voz: cara, vc está prestes a vivenciar uma experiência mística intensa. batata.

paralelamente a esse primeiro contato, e pelas vias sinuosas e benignas do destino, armava-se a participação do porcas borboletas no filme nome próprio, do murilo salles, baseado nas coisas da clarah. ótima justificativa para eu mandar um email pra ela! oi clarah, vou escrever sem vírgulas pra não tomar seu tempo (comecei assim o scrap), puta q nos pariu, como eu estava errado... tomamos demais o tempo um do outro, longuíssimas conversas de msn, tirando todo o atraso do mundo. amizade forte se instaurou, clarah exercendo maternal sua larguíssima generosidade, hospedando os porcas, marcando shows, distribuindo o herói hesitante pra deus e todo mundo. impossível narrar aqui todas as aventuras envolvendo a gente, virgem maria, vida a mil por hora é especialidade da casa, sabem como é.

mas não posso me furtar ao prazer talvez vaidoso (vai que seja, cago e ando) de publicar aqui nesse blog o q a clarah escreveu sobre nós no blog dela, o adios lounge. qdo li, disse a ela q ia enquadrar. então tá aqui, enquadrado pra todo mundo ver. coisa de se orgulhar demais, amizade dessa estirpe.

TANGA, GINGA & CHICLETINHO

se o danislau gosta, eu também gosto. com algumas raras exceções de claro mau gosto e deslize de ambas as partes, é claro, pois sempre dois e dois são dois. se ele acredita, eu também acredito. se ele aprova, ufa, eu posso fazer. não tomo uma decisão das sérias sem consultar meu duplo; mão no ombro, olho no olho, junto a gente vai serestando e praticando o nu gratuito casual, uma nova modalidade de mandar tomar no cu e cuidar da vida um pessoal que - vou te contar - anda deficiente de vida própria e achando que a alheia é novela para acompanhar. e não, espertinho, não somos amantes. essas coisas acabam - sempre mal - e nós pretendemos ficar muito velhos e muito juntos, rindo disso tudo, amigos definitivos unidos pela insolência, desvairança, amor, pequenas mortes e tudo mais que corre nas veias de quem tem vida.

1 ano do star putz

acabado de chegar de sampaulo - revigorado de chegar de sampaulo, melhor dizendo - fui tratar de dar um save nos posts desse blog. e não é q descobri a volta completa de um ano? primeiro post, dia 19 de março. último, antes desse, dia 18. fui lendo os posts, do último ao primeiro: impossível esquecer a emoção em torno de cada um, as circunstâncias de vida, os motivadores emocionais, as ressacas, os grilos. o sabor dos momentos. viver é uma degustação que melhor se esclarece com o intervalo dos dias. a gente vai bebendo diariamente líquido rosa sem saber o que é, quem sabe ano que vem possamos conhecer melhor os venenos de hj? bêbados e inconscientes hj, nostálgicos amanhã, a nostalgia é o veneno do futuro. nada mais apropriado, em se falando de vida, que esses termos relacionados à embriaguez, mesmo pra quem só bebe água e vitamina. viver é se intoxicar, pulmões felizes com a fumaça dos matos, das cidades, dos amores, desamores. dedicando então esse aniversário do star putz ao helinho flanders, sempre mais empolgado com ele do que eu. helinho representando todo mundo que passeia por aqui vez em qdo, e todo mundo que vai vivendo essa vida como ele vai: com coragem e peito aberto - porque a gente solta as fumaças dessa vida pelo nariz, com aquela cara de maconheiro felizão.
(ótimo coincidir esse aniversário e esse revival com o que rolou comigo, o enzo e o moita esse finde em sampa. fomos assistir à uma peça no teatro oficina, vento forte pra papagaio subir. remake - entre aspas - do primeiro texto e primeira montagem do zé celso, o segundo nascimento dele, como diz a peça. vento ventando muito, vento de iansã trazendo movimento e mudança, muito vento lá dentro do teatro. final de tudo, o zé celso convidando as pessoas a saírem, apontando a grande buceta q era a porta, e dizendo, maior doçura do mundo: nasce).
eu tenho uma amiga desconsolada
me diz não saber onde pôr a cara
com tantos pecados do mundo na sala

enquanto isso vai pondo a cara
entre as virilhas peludas de um cara
com quem se esconde na madrugada

em dias de quarta, quando liberada
pelo namorado, que sempre a amara
e que por recato nunca a amarra

de um lado o pecado, de outro a tara
no meio a amiga, lidando com a vara
a vara de surra, vara de chicote
e a vara de curra, vara da sorte

com varas e cordas vai minha amiga
o dedo em histe, a moral como esporte
laçando pessoas com cordas morais
laçando a si mesmo com as de sexy shop
circuito secreto entre as mangas de chuva da madrugada
em ti habito convicto
mexe uma mecha do meu cabelo
com a visão periférica capto
é um rato
tudo é tóxico

tudo é fatal

cai a maçã na cabeça de um isaac newton puto com tanto azar

próxima ação

Dqui da Bahia planejo minha próxima ação. É, porque agora sou combatente. Não por romantismo, nem por gosto, mas por necessidade. Minha próxima ação: performance de nu gratuito. Simplesmente ficar pelado no bar mais legal de Uberlândia, o Goma. Klark Kent entra no wc, sai peladinho da silva. Encostar no balcão, pedir uma cerveja, tudo muito casualmente. O nu gratuito sempre se justifica, a roupa é q é o artifício. Mas meu nu gratuito não virá de graça, quero cobrar o preço. O preço do seu incômodo. Você aí que vem me assistindo nos últimos tempos, finalmente vai poder assisir vc me assistindo. Quero sublinhar o seu olhar, vc olhar e vê que está olhando. E estará assistindo nada mais nada menos que um homem em seu natural. E o pior: assistindo horrorizado um homem em seu estado natural. Pra bom entendedor meia nudez basta. Deu pra entender? Se não, vou ser mais claro. Quero que vc saiba que não compactuo com sua lógica, seu jeitinho catoholic de ser. Tira as mãos das minhas costas que a gente não é junto.

Grande abraço a todos

Gente, tô indo pra salvador. passar uma temporada lá. Um ou dois meses, talvez mais. Tenho umas coisas pra resolver na bahia, desde q nasci. Reuniões importantes, todas ao acaso, claro. Os compromissos secretos, vcs sabem, são os mais inadiáveis. Tenho compromissos secretos, não posso revelá-los agora, até mesmo pq eu mesmo não os conheço, são secretos até pra mim. O tempo inteiro o tempo engendra histórias descartáveis, a serem descartadas no que não são vividas. Um grande amor, dois grandes amores, três, cinquenta, estão sendo desenhados agora. Uma (duas, três, cinquenta) grande história está se desenvolvendo. O fato é q ela pode ser descartada antes q se tome consciência dela. Quero tomar consciência das minhas histórias na bahia. (Por favor, vida minha, aceite com dignidade todas as minhas histórias que não foram descartadas). Vou beber uma cervejinha olhando pro mar, sentindo a brisa. Vou correr na beira do mar conclamando com as mãos a força das ondas, como um jogador de futebol pedindo um help pra galera.

Por favor, vida minha, aceite com dignidade todas as minhas histórias que não foram descartadas.

nós os românticos sempre super

Nós os românticos sempre super
valorizamos sensibilidade
vezenquanda, porém, que interessa
antes a casca
a cegueira
a blindagem

senão é overdose

conde dom

tenho em minhas mãos esse coelho e essa cartola

vou fazer agora minha mágica

vou sumir o coelho dentro da cartola

tenho em minhas mãos esse lenço infinito

vou enfiá-lo cartola adentro, o infinito seja o continente

sorrio meus dentes como se exibisse uma pomba branca

faço piada que não sou mágico de mostrar a pomba

todos do auditório riem

acabei de comer minha assistente

fizemos mágica juntos

vamos entrar os dois nessa cabine

vou pegar no vê dela

ela pegar no meu éle

nós dois ideograma

e a gente vai sumir assim

um pilotando o corpo do outro

transar é a mágica mais gostosa

quero ser mágico por toda a vida

cogito

eu sou
tu sou
ele sou
nós sou
vós sou
eles sou

até que enfim

a paróquia de uberlândia dispõe agora do mais novo reduto pra você que não sabe onde enfiar a cara.

CATÓLICOS ANÔNIMOS

Pecou? Sente-se culpado?

CATÓLICOS ANÔNIMOS

O mundo está um horror para seus olhos horrorizados?

CATÓLICOS ANÔNIMOS

Vai descendo na boquinha da garrafa?

CATÓLICOS ANÔNIMOS

Pau que nasce torto nunca se endireita?

CATOHOLICS ANONIMOUS

de longe ninguém é perfeito

tem um poema do arnaldo que diz mais ou menos que, quanto mais de perto, menos o olho vê

um amigo meu técnico de gravação de som me chamou lá pra fora, longe pra caralho das caixas de monitoração, pra gente ouvir o som de lá. disse: daqui é uma outra audição, muito esclarecedora - ver se a mix tá boa

pior audição possível da rede globo é essa, meio de longe. assistir a globo na casa da vó, novela das 8, é um circozinho de horrores até tolerável. agora como estou aqui, 2 metros da tevê, bad trip garantida. vontade de voar no pescoço do pedro mingau

alarde

esse post é uma prestação de contas. devo uma explicação pra todo mundo. uma explicação pro meu pai, pra minhas antigas professoras, pra cada um de meus amigos, pra cada uma de minhas amigas. pra minhas namoradas, de ontem e de hoje. qualquer namorada futura tb que queira se servir dessa bandeja em que ofereço minha cabeça pode ficar à vontade. devo uma explicação, eu que sempre usei calça jeans e cuecas, sapato e bermuda, quase nunca boné. quem me vê todo dia pode ficar tranquilo, não haverá mais mistério em torno de mim depois desse post histórico. vc que atravessou essas primeiras linhas, acabou de transpor o teste das 5 linhas. quem chegou até aqui realmente quer saber, vc chegou. chegou pulando parte, tudo bem, mas chegar é isso: pular parte.

mergulho e abandono, como o cometa. uma palavra bastando: errar. errar de equívoco e errar de errância. cenas do próximo capítulo: fogos de artifício em céu outrora pacífico.

seringa é relógio

eu por enqto fico aqui parado ouvindo perfect day do lou reed

me lembrando daquela over do trainspotting

overdose linda

redenção pela over... tenho direito à minha overdose. isso está na declaração universal dos direitos do homem?

deixa o céu cair na minha cabeça, o chão se afundar, deixa as nuvens em fast forward, tantos rostos passando na minha memória, maioria de menina rindo. deixa eu ouvir meu cachorro já morto latir, ouvir a voz de meus mortos. deixa eu correr pelo asfalto sem sentir o chão - um sonho pra mim, correr sem sentir

todo mundo morre de overdose

ensaiar a minha hj à noite

quem me vir no bar de walkman não vai poder adivinhar q ouço o lou reed. que planejo minha morte de artifício. vai ver menino bebendo cerveja sozinho, isso se vê todo dia

vulto na fumaça

adentro o pub, coçada no saco porque calça de couro, botas pra desafinar o passo, long neck por favor

alguém dá uma tacada em falso na sinuca. comer alguém ainda sobre a mesa de sinuca. comer alguém em falso sobre a mesa de sinuca

joy division, reconheci porque baixo música na internet. se esse pub for um pub de verdade, tem alguém entretido com a cintura de alguém no banheiro. como é bonito uma pessoa com a cara enfiada dentro da calça de couro de uma outra pessoa essa pessoa fumando cigarro com cara de ai que delícia essa vida

aí até minha vida fica ai que delícia

nem jogar sinuca nem comer alguém em falso nem joy division nem baixar música na internet muito menos entrar com boca e tudo dentro da calça de couro de alguém

meu negócio agora é comigo mesmo

adentro o pub, coçada no saco porque calça de couro, botas pra desafinar o passo, long neck por favor

carn'aval

tempos atrás, eu e uma amiga tomando cerveja na sexta-feira de carnaval, pracinha mais que surreal de abaeté, minas gerais, eu dizendo pra ela: q maravilha o carnaval... essa amiga, com aqueles olhos que deus deu pra ela: mas cadê carnaval? não vejo traços carnavalescos por aqui. aí a gente pensou um pouco e desvendou. o carnaval tá no ar.

o carnaval está nos olhos da minha amiga, no futebol dos meninos ao lado, na tia que cochilou vendo o desfile das escolas de samba, na purpurina em barriga morena de mulher, no menino apanhando de dez a zero pra camisinha no escuro da construção onde foi meter e no escuro da pouca experiência com meninas peladas com sede sob ele. o carnaval pode estar noir, no quarto solitário de hotel barato, carnaval é estarem soltos os deuses. carnaval independe de marchinha, confete, serpentina, campanha pelo uso do preservativo, multidão, salvador, recife, abaeté. tudo isso são manifestações de carnaval, não confundir tesão com pau duro. confundir, sim senhor. carnaval é justamente isso, confusão, festa das carnes em nome dos deuses, festa dos deuses em nome da carne.

quantas coisas nos reserva o carnaval... primeira vez que eu
1) fiz o bigode
2) transei
3) fumei cigarros transcendentais
foi no carnaval
(no mesmo, aliás; carnaval de 90 e tantos - não posso revelar o ano senão todo mundo vai ficar sabendo que transei tarde, já com meus 16, o q pega muito mal para um pornógrafo como eu)

vale um capítulo na biografia de todo mundo: "surpresas que me reservaram os carnavais"

vestir a fantasia é dar o aval aos deuses, é submeter-se às suas mercês, é dizer: compactuo com o carnaval. eu mesmo acabei de enrolar um fio de serpentina rosa no pescoço. aguardando as surpresas que estão por vir, curtindo muito as surpresas já reveladas.

dwag!


cheguei agora do mato. cheguei com aquela cara de quem não sabe onde, nem aonde. sem saber onde deixar meus objetos escolares. fim do mundo se aproxima? adventos, ferramentas.




minha mitologia caiu. a antropofagia resiste, pq é a única lei do mundo. mas os mitos hedonistas. a droga como redenção. o amor como redenção. ô saudade do tempo em q acender incensos contrabandeados e ouvir música em frente às caixas de som era o centro do meu mundo. era um sentido perfeito. tem coisa q só vigora (enqto) sob o título de descoberta. depois é prepúcio, precipício.



zen budismo, ioga, xadrez, esportes contemplativos, esportes radicais, banho de loja, balada noturna, abstemia de drogas, viageness, acupuntura, curso de história da arte, epicurismo, estoicismo, outras filosofias a tiracolo, umbanda, novos óculos escuros, download de mp3.



o dia está de pé

amparado na manhã

só eu estou deitado

pelos dias espetado



quem vive são os dias, a gente é espeto só. desvio de foco, isso nunca experimentei. vou soprar tão forte q não vai restar mais coesão entre eu e mim. quero perder a confiança na coesão, mode finalmente me livrar dela. eu sou o lobo mau lobo mau lobo mau, eu pego o danilinho pra fazer mingau.



aí vc vai ver. como um baterista q tira a mão dos pratos pra ampliar o volume da voz do cantor, vida vai finalmente cantar no meu conjunto musical. meu novo mito, fresquinho: o mito da subtração. tirar o time de campo, pedir pra cagar e sair, descansar um pouco deu mesmo, equacionar melhor vida e morte, dar umas fichinhas a mais pra morte, coitada, a morte, q é paz. é isso, esfarelar com os pés a areia sobre o piso vermelhão. será q vou ficar mais gato nesse novo style?
tá de noite já. dormir, descansar, garoto. noite na sua existência? raia novo dia. lembra da peia do aiuasca? vc com aquela dicção intoxicada, pedindo me levem pra água, água, água. cachoeira, e vc chapadão com os pés no rio jogando água nas canelas, entoando lamento desconhecido e dizendo pra si mesmo: fica calminho, fica calminho. os olhares estupefatos dos companheiros, comovidos com a sinceridade daquilo, o mais doce dos espetáculos, oxum conversando com filho dela com a voz emprestada junto a ele, ouvinte e falante ao mesmo tempo. os suspiros que vc descobriu naquelas tristezas de 10 anos atrás. deixa seu peito livre desse ar. volta pra você, volta pros seus braços, acenda o fogo ignácio da ignorância santa, deixa queimar o que te consome.

monólogo de msn com a clarah averbuck

Danilo says:
titãs foi a primeira banda q me machucou

isso qdo eu tinha os 9 anos, 87

sabe flasback q só cheiro e musca dá?

então

ouço esse disco de 87 e vem esse flashback

é maravilhoso sentir de novo a maneira como eu sentia o rock, naquela época

constato que o rock já estava em mim, desde sempre

o rock trabalha com umas energias primitivas, sei lá

energias recalcadas pelo modus vivendi católico, ocidental

essas energias têm a ver com o subsolo

com a lama

essa coisa q a gente conhece bem

vivenciar o rock é uma coisa muito desgastante, tenho achado

é uma energia importantíssima, muda as coisas, q seria do mundo sem o rock

não apenas o rock-música, mas o rock-comportamento

desgasta pq? pq parece q, pra se fazer rock, seja necessário se sujar com a tal lama, mergulhar no subsolo

imersão necessária

sempre desconfiei q o rock tivesse tudo a ver com a morte

não a morte iron maiden

o roqueiro é um cara q experiencia

inclusive a morte

a morte, q sempre foi tabu, vira totem, para o roqueiro

donde as martirizações todas

mesmo qdo o roqueiro não morre, ele não se livra da morte

vide o exemplo: "porra, mas o keith richards está vivo até hj?" iggy, bowie etc

é como se o prazo de validade do roqueiro fosse menor

esses caras aí, vivos, têm pinta de exceção

amante da energia do rock, me sinto trilhando esse caminho

imerso, cabelo molhado de vida, de morte

tudo isso me lembra o cristianismo

o roqueiro é o cordeiro, a ser sacrificado

já disse q via isso em vc, sem entender direito

via uma coisa de auto-imolação

auto-imolação a gerar sua obra, sua mensagem, a parte de vc q não vai morrer

permanece, mudando vidas

louco isso

morrendo, o artista de salva da morte

ou por outra

o artista se salva da morte justamente pelo morrer

chuva na rua, chivas em casa

olha q eu sacudo tudo, meto a mão na mesa, sou homem sacudo, nem tanto por carnes quanto por resolução. olha a minha mão cerrada em riste, quem me conhece sabe que eu sou nervoso. souza é sobrenome de se orgulhar porque houve já um souza matador que era meio meu tio-quase-avô. sei que não é hora de se auto-louvar à guisa de auto-salvação, mais ajo me lembrando da força do meu braço do que efetivamente aplicando a tal força. mas como tudo são equívocos nessa vida, me estendo nisso que agora prossegue. eu dessscendo a mão na mesa com essa força toda, pum (não nego a comicidade do eu bater assim a mão na mesa e dar uma assustadinha com o impacto do som) transmite mais filosofia que violência. na verdade isso é lema pra mim - filosofia e violência, filô com velô e viô, violência é uma palavra boa pelo que encerra de radicalidade, melhor, intransitivamente, violência é legal pelo que encerra. meu murro transmite filosofia porque me lembra do sagrado preceito de que seja o homem senhor de seus passos, sim senhor não, ser senhor!, a natureza está aí, as contingências estão aí, mas há que se dirigir o barco. senão é moço assustado correndo na chuva sem guarda-chuva com a cabeça baixa adiando a molhança por meio meio segundo, os pés altos sonhando sobrevoar incólume as poças, passos em falso conduzindo ao conforto do quente e do seco. cabeça baixa, pés altos, dá um pause nessa cena e entenda o que disse o níti, ecce homo, eis o homem. eu me preservo de atos como tais, ridículas tentativas não interessam, mais vale uma porrada na mesa pra fazer talher tremer. eu sou senhor, sim senhor, eu não sou senhor, você é senhora, que ridículo esse soco na mesa, meu olho de súplica é a expressão da derrota.
thelonious monk esfregando esse piano na minha cara, me levando para outros estados unidos, outro lugar, obrigado por me tirar de mim, mr. monk. férias merecidas, quase cinco minutos dançando quieto entre as gotas de chuva que são as notas desse piano que é pura promessa. há força lá fora, há lá fora, quem sabe um cachorro late, um relâmpago arrepia o céu, quem sabe chega um pacote pelo correio. lá fora é férias de mim, todo mergulho tem q ter um pouco de abandono.

reiki do rei

cê tá com uma dor no coração, no coração metafísico, e vem o roberto carlos. pousa a mão no ponto certo, alcança a dor como se fosse no corpo dele. exercer a dor, tocá-la - alívio possível é esse, bicho.

pode?

Louco de verdade. Né só cabelim não. Dentinho regaçado, pq bandidagem. Cicatriz no canto da boca, de facada. Sorrindo agora, mas com lágrimas guardadas pra mais tarde. Arrebatado como um lago pingado de chuva. De vez em qdo, cair no chão por querer. Ser pego roubando. RENAVAN de 2006. Carteira de identidade perdida em esbórnia no pelourinho, em 1998. Pouco louco? Bermudas originais dos anos 80. Prazer em se auto cuspir. Alguma hipocondria. Jamais jogar areia sobre qualquer paixão. Contato direto com dionísio, de vez em qdo lançar semente de mim sobre as pedras de cachoeira. Ser por correção, ser por natureza. Projetos de pajelança adiados pra depois da tempestade. Imersão no caldo quente dos sentimentos, dispensando toalhinha. Sem fé, mas com verve. Solipsista por designação dos astros, lavo minhas mãos. Confiança no deus que mora no correr dos fatos. Confiança, cumplicidade. Aguardando o último momento da vida, já claramente previsto: ouvindo som sozinho em apartamento com piso de taco no rio de janeiro, brisa e vista para o mar, quanta bagunça, quanta cachaça, quantas lágrimas guardadas para nunca chorá-las, eis que choro, tchau pra todo mundo, acabei de gozar na pedra.
nada mudou: eu em casa ouvindo changes do david bowie
eu meu pai meu irmão meu vô: caminhar é nossa dança

meu vô, desde os primórdios, caminhando. velhinho já, uma sandalinha pouco se distanciando da outra, em cada passo. caminhar arrastadinho, a poeira sobre o asfalto se esfarelando sob seus pés. meu avô desde essas caminhadas se direcionando para onde está agora.

meu pai quando dorme aqui em casa desaparece com as primeiras luzes. a gente dormindo, meu pai caminhando. quando tive tamanho de vestir calça dele, senti a moldura nas pernas e achei q eu era meu pai. mesma sensação quando caminho e vejo minha sombra me demonstrando o quanto ele está inscrito em mim - moldura.

quando a caminhada é no pôr do sol, vamos eu ele e meu irmão. dia desses, sombra de nós três fez-se cinema, visualizou-se fácil o quanto a gente é junto.

hj caminhei com meu filho pela primeira vez. sempre fiz caminhada com ele - quase todos os dias em que estivemos juntos, na verdade - ele sentadinho no carrocinha, devorando o mundo com o olhos deslumbrados. hj, bem longe de casa, cenário surreal de asfalto e mata, ele desceu da carroça. caminhamos lado a lado. ao que ele me viu empurrando carrinho vazio, quis imitar. deixei. vi que tinha muito cinema nessa cena, meu filho empurrando o próprio caminho, digo, carrinho, sozinho e feliz.
navegação em alto mar, chuva à vista!

barco ao alto, abaixo, ondas

eu com um papelzinho na mão

leitura

contas no calendário, consultas astrológicas, abstinência seguida de cancelamento da abstinência de cannabis, tarô, i-ching, olhos pra que te quero?

meu primo, que por sinal está preso - tenho um primo que pra mim é um irmão e que está preso, mil tomar no cus sinceros e em alta voz por isso -, me disse um dia com dicção de mala que o futuro nunca existe primão, esse povo tá falando pra eu cuidar do meu futuro, até tentei cuidar, mas cadê ele, que nunca chega?

tem umas segundas que têm toda a cara de domingo. domingos q nossa tá uma cara de sábado. sábados com cara de sábado. mas tem dias que estão com cara de dia nenhum. nem segunda nem terça nem quarta nem quinta nem sexta nem sábado nem domingo.

com as luas, o mesmo. um homem sensível sabe qual é a lua é sem olhar pro céu, sem consultar folhinha, sem se lembrar do último ciclo. liga as anteninhas, e percebe. lua cheia. nova. crescente. minguante. dias há em que, parece, vigora uma provisória abolição da lua. lua nenhuma.

pescador na praia calculando os rios de vento e correntes marítimas, olhar altivo, será que vai chover? impossível desconsiderar as marés, as luas, a chuva, o sol, o tao, a pele. mora um deus no correr das coisas, deixar ele agir. o máximo a fazer é não atrapalhar.

nesse dia-nenhum de lua nenhuma, ergo o olhar para o céu:

mundo ao meu redor, pq me abandonaste?

afasta de mim esse calo-me.

compromisso

centro da cidade, asfalto molhado, long neck na mão

o boêmio qdo volta pra casa, volta:

com dois dias de atraso
corpo cheio de escoriações
mancando

ainda me faltam os dois dias de atraso

então cumprir a legenda

águas

nas últimas semanas, me vi algumas vezes na situação de detentor da palavra, em sala de aula. o mestrado em teoria literária, modalidade esportiva que venho praticando desde 2006, me obrigou a proferir quatro palestras em turmas da graduação em letras. vale contar?

a primeira delas seria sobre o paulo leminski. umas 15 meninas ouvindo, parece que homem não passa em vestibular para letras. não tive tempo de preparar nada, o tiro se produziu sozinho. fui falando, falando, acessando o cara, sua obra, mergulhando o mais profundamente. fez-se a luz, o pão de queijo deu liga, de repente o verbo se fez carne. embargo imposto pela emoção, perdi a voz. vontade incontrolável de chorar. sensação clara (não estou sendo cardecista): de tanto chamar o cara, ele ali do meu lado. fez-se o silêncio. com o pouco que restava da voz, pedi desculpas, pedi um tempo com as mãos. desfalecimento total. se eu estivesse sozinho, rebentava de chorar alto. mas o pudor. com os 20 segundos de constrangimento, entra a voz muito doce da eni, coordenadora do projeto: danilo, tá tudo bem, muito legal isso, fica à vontade. com o minuto completo naquela situação, tentei dar a palestra por encerrada, sacudindo as mãos, dizendo com elas: é isso, acabou. nunca tinha experimentado choro tão tenaz. a carne se fez silêncio, senti que de alguma forma o leminski vivia no meu choro, naquele vazio.

aí ontem foi dia de falar do oswald de andrade. essa ocasião me lembrou de outra, na graduação, em que eu deveria falar do tal do antero de quental, poeta português que nunca tinha visto mais gordo, nem cheguei a ver depois. como eu não tivesse estudado bosta nenhuma, e estava obrigado a falar qualquer coisa, me veio o insaite, na sala de aula, pouco antes de tomar a palavra. descobri o dia em q o cara nasceu, logo descobri seu signo, e comecei a falar mais ou menos assim: "bom, o antero nasceu tal dia, logo é do signo de áries. como um bom ariano, ele devia ser um cara bastante assim, talvez assado. olha esse trecho aqui. típico de ariano". foi divertido, a professora entendeu q nada pode ser muito sério em sala de aula, e foice.

pois. tentando descobrir o signo do oswald, percebi q o aniversário dele era exatamente... ontem! pensei, crítico místico-literário que sou: virgem. fizemos um minuto de conversa em sua homenagem (nada a ver um minuto de silêncio com o oswald de andrade), e iniciamos a imersão.
Toda a verdade do mundo está em sair das coisas com os cabelos molhados.