carn'aval

tempos atrás, eu e uma amiga tomando cerveja na sexta-feira de carnaval, pracinha mais que surreal de abaeté, minas gerais, eu dizendo pra ela: q maravilha o carnaval... essa amiga, com aqueles olhos que deus deu pra ela: mas cadê carnaval? não vejo traços carnavalescos por aqui. aí a gente pensou um pouco e desvendou. o carnaval tá no ar.

o carnaval está nos olhos da minha amiga, no futebol dos meninos ao lado, na tia que cochilou vendo o desfile das escolas de samba, na purpurina em barriga morena de mulher, no menino apanhando de dez a zero pra camisinha no escuro da construção onde foi meter e no escuro da pouca experiência com meninas peladas com sede sob ele. o carnaval pode estar noir, no quarto solitário de hotel barato, carnaval é estarem soltos os deuses. carnaval independe de marchinha, confete, serpentina, campanha pelo uso do preservativo, multidão, salvador, recife, abaeté. tudo isso são manifestações de carnaval, não confundir tesão com pau duro. confundir, sim senhor. carnaval é justamente isso, confusão, festa das carnes em nome dos deuses, festa dos deuses em nome da carne.

quantas coisas nos reserva o carnaval... primeira vez que eu
1) fiz o bigode
2) transei
3) fumei cigarros transcendentais
foi no carnaval
(no mesmo, aliás; carnaval de 90 e tantos - não posso revelar o ano senão todo mundo vai ficar sabendo que transei tarde, já com meus 16, o q pega muito mal para um pornógrafo como eu)

vale um capítulo na biografia de todo mundo: "surpresas que me reservaram os carnavais"

vestir a fantasia é dar o aval aos deuses, é submeter-se às suas mercês, é dizer: compactuo com o carnaval. eu mesmo acabei de enrolar um fio de serpentina rosa no pescoço. aguardando as surpresas que estão por vir, curtindo muito as surpresas já reveladas.

Um comentário:

Chaves disse...

Isso isso isso. Carnaval ranca o cabaço da meninada mesmo, eu inclusive. Isonomia.