a cor de nuvem, na moeda

um dia será o caso de se buscar algumas formulações a respeito desse negócio de ficar pisando de lá pra cá em cidade outra, cidade que-não-a-nossa.

pq estar muito tempo em cidade outra gera no titio um estado de embrutecimento que, por paradoxal q pareça, acaba meio coincidindo com um estado se sensibilidade aguçada.

sensível-bruto, caminhando por são paulo, acredito reconhecer um pouco desse transe nos infinitos moradores de rua dessa gothan city.

sensível-bruto, consigo perceber o diálogo estabelecido entre todas as estátuas desse centrão de deus nenhum. as estátuas estão em constante diálogo, isso é evidente. e se alguém se vê em condições de participar desse papo são esses mendigos todos com cara de estátua.

a propósito: a estatua do anchieta, na praça da sé. a perfeita figuração do Lunático. túnica, cabelo querendo-se auréola (aquela aberração que é a careca rodeada de cabelo), cruz na mão. grande, grande, ocupando andar de cima. nessa praça repleta de loucos, até a estátua - e principalmente a estátua, o totem - afigura-se O louco.

embebido do centro de são paulo, sei q a plástica dessa intoxicação é o cinza velho das estátuas, o cinza das construções antigas, o cinza do asfalto, o cinza da pele e das roupas e da expressão dos moradores de rua. wesley duke lee, q ilustrou o paranóia, do roberto piva, sabe disso. eu, q me despeço agora desse centro, corro atrás, viciado, da loucura do centro de belo horizonte. sei que não vai ser difícil encontrar, pq o plúmbeo parece ser mesmo o timbre de nossas metrópoles.

Um comentário:

Schwartz (o Walber) disse...

Cara, juro por nossa senhora da bicicletinha que eu NÃO TINHA LIDO ESSE POST quando falamos no emeeesseene agora a pouco sobre migração, metrópoles, cidades de cada um, e a relação espaço-porradaria-tempo... juro,juro juro. Coincidência (?) maneiríssima.

Abraços,

WS