quarta-feira, 27 de agosto de 2008

literatura ai ai ai

vamos por parties

hj começa a flu, festa literária de uberlândia. me convidaram pra dar uma oficina sobre literatura e internet. avisei: não estou falando nada com nada. ah, tudo bem, literatura o que é? liberdade. sendo assim, aceitei. cliquem aqui e conheçam o site do evento.

2) deixa eu contar pra vcs a incrível história de como me tornei mestre em literatura. antes divido o imenso prazer q é escrever mestre com letra minúscula. dividido está. meus amigos agora só me chamam de mestre, e não deixo de ver nisso uma certa ironia. mas tudo bem, amigo é amizade.

meu nome é danilo e eu sou formado. me formei-me em letras alguns anos atrás, deus vai saber qtos. foi dsmai bom estudar. a universidade p mim nunca foi meio para. sempre foi fim. estava lá pq gostava de ficar descalço embaixo das árvores. gostava de ir p biblioteca escutar beethoven no fone. gostava de ficar bem doidão entre as estantes da biblioteca. gostava das aulas boas. nunca mais li poesia do mesmo jeito, depois q fiz um curso de poética. e por aí vai.

em todo caso, minha passagem pela universidade sempre foi mais uma coisa política q uma coisa, digamos, educacional. sempre fui adepto da performance institucional. pirar em palco é meio previsível. pirar onde não se espera fogo é mais contundente.

talvez ainda discuta o q rolou na minha banca - ai como essa palavra é simpática qdo se refere à loja de revista, e como é antipática qdo se refere a tribunal. merece alguns parágrafos aquele momento. não agora, pq eu tô correndo p assistir ao último do woody allen.

qdo for contar pra vcs sobre a bannnnnca, conto sobre o prazer de trabalhar com a joana muylaert, minha orientadora. nunca vi alguém conseguir articular, como ela articula, generosidade e competência. extremamente porra-louca naquela doçura toda, joana sabe cumprir os scripts com uma desenvoltura q só vendo. ah joana, não fossem vc e a luciene azevedo, brilho em pessoa, como suportar a arrogância blasê q é um tribunal de academia.

em todo caso, conto agora tb como foi bom responder à não menos exuberante paula arbex, preocupada c minha sobrevivência ao tribunal:

- paulinha, estou ileso. como levar a sério um negócio que termina estando todos de pé para ouvir a ata de aprovação?

disse isso p elaine, coordenadora do mestrado, q me incomodou, matou de vergonha aquele negócio de estar em pé. ao q ela disse: mas menino, é a hora em q vc recebeu um título. não ficaste emocionado?

disse a ela: não, não fiquei emocionado. fiquei emocionado, instigado, feliz, alma em pé, depois da discussão sobre o oswald na aula do tollendal, semestres atrás. ou na aula da joana, sobre o ricardo piglia. nesses momentos sim, saí radiante. o q é um título mestre em literatura? pra mim, vale nada. como disse, estudar p mim é fim, não meio. alegria é a prova dos 9.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

chapter 24

nossa, q delícia colocar o primeiro disco do pink floyd bem alto e curtir essa loucura assim, estirado no chão. tarde nada vespertina, tarde noturna, é noite nessa fumaça iluminada pelo sol q entra pela fresta

sem camisa e suado, cultivando dois perfumes: um na ponta dos dedos, dedo de pajé, outro debaixo do braço. adoro feder cheiroso

o momento é de total non sense. quem tá perto de mim sabe q tem meses q eu não falo coisa com coisa. tenho na geladeira um abacaxi cujo apodrecimento elegi como objeto de pesquisa. o amarelo apodrece marrom. o marrom (pão de sal) apodrece azul. o branco (pão de fôrma) apodrece verde. como apodrecerão os morangos? em cinza? essa tem sido minha música, a minha FM, a minha televisão e minha musa: apodrece ao meu redor.

apodreço colorido no sol dos cinco sentidos.

domingos, ah os domingos

domingo é o dia em que o apodrecer conhece a máxima poesia. eu tenho sobre a mesa, nesse domingo, uma penca de bananas absolutamente negras, na geladeira um abacaxi em gozo de câncer, no canto da pia um pão de fôrma comprazendo-se no azul. bem vindos à minha singela residência, amigos. por favor não fumem souza cruz no meu santuário

estou sem camisa, não foi fácil obter esse cheiro. meu pai precisou conhecer minha mãe, passaram a vida inteira cultivando Momento e evitando a todo custo o mofo na cozinha. cresci descalço suado e com o pé sujo, não é porque sou mestre em literatura que vou tirar os pés do chão. quem já experimentou o diabo que mora na sola do pé suja com o carvão do asfalto sabe o que é o Que. Eu tive na adolescência um apelido q descobri depois é nome dado ao capeta, na roça: pé-preto.

sou xará do demo, mas não é por isso que me chamam xarazinho.

esse cheiro cultivo por respeito a meus mortos, dentre eles meu morto preferido: eu mesmo.

ah, todos os dias da minha semana orbitam em torno do sol do meu domingo.

(estou de pernas abertas na beira da praia. vem uma onda bate no meu saco vira espuma vira fumaça vira sal... respiro. estou salgado por dentro e por fora, tenho os cabelos molhados de chuva, meus pêlos formam esculturas dentro da sunga com o mel já enrijecido da última vez que sobrevim ao mundo. mãos atolados na areia movente da praia, bolso instável do planeta, possível me depare com o anel que tu me destes?)

como é bom estar em casa. lar, doce, lar

rosto contrito de paixão e entrega, sob mim, sob o peso intolerável do meu olhar de rapaz possuído, posta-se devota a pureza dessa filha de alguém, isenta de qualquer mofo além desse homem suado alucinando sozinho ao som do primeiro disco do pink floyd.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

quem sabe, no futuro, eu não rapte vc da casa da sua vó, com meu cavalo,de modo que saiamos galopando vc agarrada na minha cintura cabelos ao vento, até o sinal ficar vermelho e a gente tenha q parar?

sábado, 16 de agosto de 2008

dorival

hj as ondas do mar bateram na praia como sempre

isto é

fantasticamente

alguma gaivota lançou um grito que ninguém ouviu

quando eu era bem pequeno meu pai cantava boi boi boi pra mim

aí qdo eu cresci ouvi sua filha nana sendo minha mãe, dizendo dorme meu anjo, mamãe precisa descansar

no dia em q minha mãe foi descansar, sem eu querer, tocou na minha cabeça: uma incelença entrou no paraíso

vc é fundamental, cara

chorei quando soube q vc foi descansar

uma incelença entrou no paraíso

foi-se seu fôlego, agora sua respiração é o movimento das ondas no mar

todas as vezes em que cantei o mar caminhando pela praia minha garganta apertou

ontem o vanguart tocou essa música, última canção do show, sem saber que hj

hj eu abri minha pasta músicas e seu nome apareceu e eu pensei tenho q ouvir caymmi, sem saber que hj

hj virou sempre pra vc

sua menininha de gantois te abençoa de algum lugar

daqui, te peço a bênção

vela arde

vento sopra

como rosinha de chica, resta-nos dizer, na beira da praia

morreu, morreu

flying

chegando em casa, ô bagunça. emblemas emblemas emblemas

chegaremos lá

no aeroporto de sampaulo, de manhã, meia hora de sono apenas antes, tive q dizer ao vinício: cara, eu não tenho absoluta certeza de estar aqui. isso é novo p mim, primeira vez, i am not sure i am here. tá tudo fora de foco, algum pedal de efeito aplicado na minha visão, algum hiato entre mim e o plano chapado q são as coisas q vejo.

rapaz.

alguns dias antes, cuyaba, aquela alegria toda, mil bandas, todo mundo deslumbrado, rip rip urra. eu mais bossa nova, tristeza não tem fim, felicidade sim.

algum hiato entre mim e a alegria do mundo.

vi um menino q achei lindo em cuiabá.

eu já o tinha visto antes, é um artista. contra-pedal de efeito, eu, de dentro do plano chapado das coisas q ele vê, me vi transportado pra algum cômodo dentro dele, sei lá, simpatia: mesmo pathos. gostei da maneira como a expressão de seu rosto responde ao mundo q ele vê e talvez habita.

e foi essa expressão q me sugeriu: ele não está [apenas]aqui. não sei se ele está certo de estar onde está, imagino que está demais dentro de si mesmo, porque a expressão constante no rosto é uma imagem que só vi em menino sensível à mercê do lsd. seja como for, em meio a tanta euforia cuiabana, foi bom descentrar-me de mim e centrar-me nesse cara. gosto de ouvir gente no walk man, foi poesia pura pegar uma carona na soft vibe dele. seu nome (tudo a ver esse nome)

tata aeroplano.

a banda dele eu estou ouvindo agora, profundamente comovido:

(também a propósito, em face das discussões desse post, o nome da banda)

cérebro eletrônico

"amanheça de cabeça dentro dela", diz a música q acabei de ouvir, de.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Porcas no Itaú Cultural

Caminham soridentes pelas ruas de são paulo capital os meninos do porcas borboletas. fazem festa, almoçam juntos, um diz olha aquilo lá q q isso cara pra poder roubar uma batata frita do colega procurando o que seria aquilo a se olhar tão urgentemente. era pra olhar mas era pra não ver o que se passava embaixo do próprio nariz, o adeus impassível da batata frita, prestes a se tornar aquele que a devora, traquinas rapaz longe de casa longe de qualquer organização ou referência que lhe permita dizer não não não, não sou uma batata frita viajando do prato de hoje para o prato da manhã dizendo um adeus impassível de batata frita. a metamorfose de franz kafka fica sendo meu deus hoje amaheci uma bata frita saindo do prato de cuiabá pra virar são paulo.

a boca nervosa de são paulo.

os dentes de são paulo.

a gente virou são paulo, o vinícios ladrão de batata virou a batata frita que roubou do meu prato, quiséramos nós são paulo virasse porcas um pouquim que seja borboletas então o jeito é entrar pela boca do itaú cultural

apresentação do porcas no itaú cultural da avenida paulista na próxima quinta feira dia 14 a partir das 19 e 30 com ingressos distribuídos gratuitamente a partir das 18 e 30

mastigando a informaçlão:

com ingressos distribuídos gratuitamente porcas no itaú cultural dia 14 a partir das 19 e 30 apresentação gratuitamente a partir das 18 e 30 dia 14 a partir das 19

porcas no itaú cultural da avenida paulista na próxima quinta feira dia 14 a partir das 19 e 30 com ingressos paulo, o vinícios ladrão de batata virou a batata frita que roubou do meu prato, quiséramos nós colega procurando o que seria aquilo a se olhar tão urgentemente. era pra olhar mas era pra não ver o que se passava embaixo do próprio nariz, o adeus impassível adeus impassível de batata frita. a metamorfose de franz kafka fica sendo meu deus hoje amaheci uma bata frita saindo do prato de cuiabá pra virar são paulo.

sábado, 2 de agosto de 2008

tamo eu e theo aqui pelados corpo de ducha

em meio às caixas de som ouvindo disco

quando entrou a oração ao tempo do caetano

- aquela q tem uma comparação perfeita q é:

és um senhor tão bonito qto a cara do meu filho -

aparece a capa do disco, cinema transcendental

e o caetano cabeludo de costas corpo de mar olhando o oceano

nisso o theo aponta p ele e diz: PAPUM!

(papum sou eu)

ri de alegria

parecer com o caetano, pra mim, é sinal de saúde e beleza

nisso o theo estabeleceu outra comparação?, dizendo:

papum

és um senhor tão bonito

qto a cara do caetano

?

rir!

sábado de manhã é pelado de ducha.

e saravá pra todo mundo